Ex-diretor da Petrobras diz que país pode perder R$ 331 bilhões com Libra
Mapa áreas do pré-sal - Libra
O ex-diretor de Gás e Energia da Petrobrás Ildo Sauer, que protocolou uma ação
para tentar impedir a realização do leilão do Campo de Libra, na Bacia de Santos – marcado para a próxima segunda-feira (21), afirmou que o modelo de partilha pode levar o governo federal a deixar de ganhar de R$ 176,8 bilhões a R$ 331,3 bilhões. Os cálculos estão no processo que pede a suspensão da disputa e leva em conta diferentes cenários com o preço do barril de petróleo entre US$ 60 e US$ 160. Segundo Sauer, existem ilegalidades técnicas e ameaça à soberania nacional. Para o ex-dirigente, o modelo de Libra atende ao interesse da China de baratear o preço do petróleo no mercado internacional ao aumentar suas fontes do produto. Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo mostra que o país asiático está muito próximo de se tornar o maior importador mundial de petróleo. Para Sauer, o Brasil deveria adotar um modelo em que a petrolífera brasileira seja a única sócia da exploração do pré-sal e, com isso, possa controlar a produção com o objetivo de manter o preço em patamares desejados. "É uma defesa de cartel mesmo, mas cartel de interesse do povo brasileiro", disse Sauer, ao ser questionado se o seu modelo não se assemelha às ações da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). "Não há nada de ilegítimo nisso, só não pode haver cartel dentro do país", completou. Ele defende um modelo em que a Petrobras seja a única sócia mas que possa adotar parceiros estrangeiros para exploração, a quem caberia o financiamento da operação. "Converter o petróleo em dinheiro agora significa risco de ver o preço do produto diminuir, além do risco financeiro ao converter o petróleo em moeda estrangeira", declarou. "Me sinto mais seguro com o petróleo embaixo do mar", finalizou.
