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Petrobras: TCU vai investigar abandono de perfuradora de 130 metros na Serra do Mar

Por Sandro Freitas

Petrobras: TCU vai investigar abandono de perfuradora de 130 metros na Serra do Mar
Após rejeitar as denúncias de irregularidades na contratação da empresa responsável pela construção do Gasoduto Caraguatatuba/Taubaté (Gastau), que atravessa o litoral de São Paulo, o Tribunal de Contas da União (TCU) decidiu apurar irregularidades no abandono de uma tuneladora (equipamento para prefuração de túneis) de 130 metros em um buraco escavado na Serra do Mar. O Bahia Notícias obteve o documento com o voto do conselheiro Raimundo Carreiro, que foi entregue nesta terça-feira (27) ao Congresso. Primeiramente ele descartou suspeitas de irregularidades na licitação, apontadas pela Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados. Os parlamentares afirmam que a Petrobras fraudou a licitação para fechar o contrato com o consórcio Brasfond/Schachin, em 2009, durante o período em que o atual secretário de Planejamento da Bahia, José Sérgio Gabrielli, comandava a estatal. O projeto Gastau tinha como responsável a então diretora de Gás e Energia da companhia – hoje presidente – Graça Foster. O contrato de R$ 224 milhões foi feito de forma emergencial, após a empresa mudar o procedimento previsto. “Após receber as propostas, a Petrobras percebeu que haveria a possibilidade de contratação pelo método mais eficiente (ainda que mais oneroso), o que motivou a cancelar o certame e contratar diretamente com a terceira colocada, a primeira a oferecer a circulação reversa”, aponta o documento do TCU.
 

Tuneladora enterrada pela Petrobras mede 150 metros

No entanto, durante a análise do caso, o conselheiro destacou o abandono do equipamento, fato confirmado pela Petrobras. “Após a escavação, estava prevista a construção de uma caverna ao final do túnel, para possibilitar a desmontagem e posterior retirada do equipamento TBM do seu interior. Devido às restrições do espaço físico, somente após a retirada da TBM seria possível o início da instalação do gasoduto no interior do túnel. De forma a acelerar a conclusão do Gastau, a Petrobras optou pela compra de equipamentos e seu abandono”, disse a estatal em resposta. A empresa ainda alega que para desmontar o equipamento teria que gastar US$ 500 milhões, o que teria motivadp a decisão de abandono da peça, apesar de não justificar qual o impacto ambiental da medida. “Tal achado impõe apurações mais detidas por parte deste Tribunal, para aferir se episódio se caracteriza como ato de antieconômico de gestão. Assim, convém determinar Secob-3 que apure o fato em processo apartado, constituído a partir de peças correlacionadas com a questão em tela, representa ao Tribunal caso verifique indícios de irregularidades”, determinou Carreiro.