Secretário relativiza falta de verba e diz que megaeventos sintetizam desigualdade
Foto: Marcela Gelinski / Bahia Notícias
Titular da Secretaria de Promoção da Igualdade Racial da Bahia, Elias Sampaio surpreende e, ao contrário da maioria dos gestores, afirma que a falta de recursos não é o principal empecilho para o trabalho da pasta. Em entrevista ao Bahia Notícias, o secretário revela que não deixou de realizar qualquer ação por ausência de dinheiro. “Se você perguntar que agendas ainda necessitam ser implementadas, são mais por causa de arranjos institucionais e políticos do que por falta de recursos”, avaliou, ao comentar a expectativa de aprovação pela Assembleia Legislativa do Estatuto da Igualdade Racial. Entre as propostas previstas no documento, está a criação de um sistema de promoção da igualdade racial, integrado com outras secretarias, revelou Sampaio. Como defendeu o titular, boa parte das políticas de promoção da igualdade racial se encontra na ponta em outras secretarias. “Por exemplo, no caso da lei que cria a obrigatoriedade do ensino da cultura afro-brasileira nas escolas, isso é relativo à Secretaria de Educação”, exemplificou. Durante a entrevista, Sampaio mencionou as ações governamentais do Agosto da Igualdade e falou sobre a expectativa para a Conferência de Promoção da Igualdade Racial, com o tema Democracia e Desenvolvimento sem Racismo: por uma Bahia afirmativa. Além disso, relativizou o aspecto negativo da segregação racial americana, ao defender escolas criadas para negros. “Hoje, já se discute que aquela segregação lá, [...] acabou trazendo alguns elementos positivos para a formação de uma classe intelectual negra”, analisou. Sobre a realização de eventos de grande porte no Brasil nos próximos anos, alertou para exposição da desigualdade social e racial existente no país. “Nós vamos estar com isso saltando aos nossos olhos, porque a contradição vem na porta e arromba”, previu. Clique aqui para ler a entrevista.
