Revista detalha esquema Petrobras-PMDB e cita ajuda dos herdeiros de Sarney e deputado
Por Sandro Freitas
Foto: Reprodução / Globo
O lobista João Augusto Henrique deve ter mais uma semana de inferno astral. Primeiro, como noticiou o Bahia Notícias, ele deve ser convidado na quinta-feira (22) para depor na Comissão de Minas e Energia da Câmara dos Deputados. Em segundo lugar, pela ira com que tem sido tratado por membros do PMDB, partido que o lobista acusa de ficar com “60% a 70%” do dinheiro que arrecadava com contratos da Diretoria Internacional da Petrobras, então administrada por Jorge Zelada, indicado delo núcleo do partido em Minas Gerais . E, para completar, a revista Época deste sábado (17) traz novas denúncias contra o ex-diretor da BR Distribuidora, revelando que outras empreiteiras estariam envolvidas no esquema e a forma como o dinheiro era repassado para os políticos. “Tenho contratos com a UTC, tive cinco contratos recentes com a Andrade [Gutierrez] e trabalho muito com a Mendes Júnior”, disse João Augusto, segundo a Época. O lobista estaria atualmente em Dubai, nos Emirados Árabes, decidindo os próximos passos, exatamente no local em que ficaria uma das principais contas bancárias envolvidas no esquema. UTC Engenharia, Mendes Júnior e Andrade Gutierrez assinaram 20 contratos com a Petrobras entre 2008 e 2012, segundo dados disponíveis no site da estatal. Somados os acordos com a Odebrecht, o número de contratos sobe para 38 e o valor total chega a R$ 12,6 bilhões.

Época mostra provas de conversa com lobista - Foto: Reprodução
O pagamento de propina para os deputados federais do PMDB, segundo o lobista, era feito em Brasília, diretamente pelas empresas. “[No começo] deixei claro para eles: a única coisa que não quero é mexer com dinheiro. Sei fazer o negócio, fácil. Agora, o cara pagou? Você se vira. Se a conta era de doleiro, se a conta era deles, não quero nem saber… Porque esse era o grande risco”, revelou João Augusto, que quanto perguntado sobre o método preferido dos deputados para receber o desvio, respondeu: “Usavam doleiro para caramba. Era tudo entregue em Brasília pelo próprio pessoal que você fazia o negócio [as empresas]”. Ele ainda revelou que, quando precisava entregar o dinheiro diretamente, tinha como “enviados” o sócio Ângelo Lauria e o filho do falecido deputado federal Fernando Diniz (PMDB-MG), Felipe Diniz. “Tinha coisas que passava para ele [Felipe], até porque era mais fácil. Ele estava em Brasília... Ó, isso aqui [o dinheiro] você leva lá [aos deputados do PMDB]”, afirmou João Augusto. Outro suposto envolvido no esquema, em parceria com Felipe, seria o economista Adriano Sarney, neto do senador José Sarney (PMDB-AP).
