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Lídice critica fala de Aleluia e diz que ‘nada será como dantes’

Por Alexandre Galvão

Lídice critica fala de Aleluia e diz que ‘nada será como dantes’
Fotos: Alexandre Galvão/ Bahia Notícias
Em visita à Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia (Facom/Ufba), em Salvador, nesta sexta-feira (28) para participar de um debate sobre o Movimento Passe Livre (MPL), promovido pelo candidato ao cargo de diretor da Facom, professor Fernando Conceição, a senadora e ex-prefeita de Salvador Lidice da Mata (PSB) e o deputado federal Luiz Alberto (PT) falaram sobre reforma política, as ações da Polícia Militar, a desmilitarização da corporação e o cenário político atual.
 

Em entrevista ao Bahia Notícias, a senadora baiana criticou as declarações do secretário municipal de Transportes, José Carlos Aleluia, que afirmou durante os protestos, nesta quinta (27) em frente á prefeitura de Salvador, que "absolutamente não" pode-se gastar um quarto do orçamento do Município, que é de R$ 4 bilhões, para custear o passe livre estudantil na capital baiana. Para a socialista, que na sua gestão como prefeita conseguiu renovar a frota de ônibus em mais de 1,5 mil veículos, o chefe da pasta “não está pensando, está quase com uma posição provocativa com o Movimento [Passe Livre]. Eu compreendo que eles implantaram o programa Domingo é Meia, só que nós não estamos tratando de um patamar de discussões antigo, tradicional”, afirmou. Na opinião da senadora, o benefício aos estudantes se coloca hoje como central na política pública no Brasil. “O secretário deveria se abrir, chamar os empresários novamente e ver que tipo de solução apresenta para a sociedade. Ele tem que entender que nada será como dantes”, criticou. 
 

Já o deputado Luiz Alberto, em sua participação, afirmou que a retomada recente do interesse político por parte do eleitorado mais jovem não é algo que o espante. Para ele, as recentes manifestações só reafirmam que a juventude sempre esteve presente no âmbito político. Outro fator apontado como positivo pelo petista foi o apartidarismo do MPL. “Não querer partido é uma forma de garantir a autonomia das manifestações. Acho muito bom que ele não seja dirigido por um partido ‘A, B ou C’. O Passe Livre hegemonizou as reivindicações, até questões de natureza mais geral, como o combate à corrupção, até a reforma política. As manifestações foram um soco na política brasileira que avançou nas políticas sociais, mas não avançou na forma de fazer política”, conclui. 
 

A desmilitarização da Polícia Militar (PM) também foi pauta da conversa dos parlamentares com o BN. Alberto se disse totalmente favorável à desmilitarização da companhia. “Não podemos conceber uma polícia que viveu uma experiência da ditadura militar reprimindo movimento, reprimindo a liberdade das pessoas, com os tempos atuais”. Lídice atentou para o fato de que a PM que atua nos protestos, é a mesma que atua nas áreas mais pobres da cidade. “Uma reforma do sistema de segurança pública no Brasil é indispensável. Estamos em um momento de contestação, o que não quer dizer que possamos aceitar o tipo de polícia e violência que estamos convivendo na rua. Abaixo a violência da Polícia Militar”.