Ruy Mesquita, diretor do Estado de S. Paulo, morre aos 88 anos
Comandante do Jornal da Tarde e do Estado de S. Paulo, o jornalista Ruy Mesquita morreu nesta terça-feira (21) em São Paulo, aos 88 anos. Ele tinha um câncer na base da língua e foi internado no último dia 25 de abril no Hospital Sírio-Libanês. Deixa a mulher, Laura Maria Sampaio Lara Mesquita, os filhos Ruy, Fernão, Rodrigo e João, 12 netos e um bisneto. Último remanescente da terceira geração de jornalistas que dirigiu o Estado, ele manteve a tradição do pai e do avô de jogar o peso institucional dos jornais da família contra projetos populistas e autoritários. Em 1938, no início do Estado Novo, Mesquita Filho foi preso e exilado. Em 1940, dias antes de Ruy fazer 15 anos, o jornal foi encampado pelo governo e só seria devolvido à família em 1945, com o fim da ditadura. No entanto, enquanto trabalhava como editor do Estado, Ruy Mesquita, junto com seu pai e outros membros da família, participou da conspiração que depôs o então presidente João Goulart em março de 1964. O Jornal da Tarde nasceu “decididamente a serviço daquela nobre causa”, como dizia a apresentação do jornal ao se referir à ditadura militar, à qual Mesquita passou a se opor após o Ato Institucional nº 5 de 1968, que endureceu o regime. Em setembro de 1972, proibido de publicar uma entrevista, Mesquita escreveu um telegrama ao ministro da Justiça, Alfredo Buzaid, e chamou o Brasil de “republiqueta de Banana”. A censura provocou resposta criativa de Ruy Mesquita. Foi dele a ideia de publicar receitas culinárias no lugar de notícias censuradas, para chamar a atenção dos leitores para o que ocorria na redação.
