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Ministro critica falta de armazéns para estocar milho na Bahia

Por David Mendes (Brasília/Juazeiro)

Ministro critica falta de armazéns para estocar milho na Bahia
Fernado Bezerra apresentou ações do Ministério no combate à seca |Foto: MI
O ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, reconheceu a ausência de políticas para segurança alimentar dos rebanhos em todo o semiárido brasileiro, castigado pela pior seca dos últimos 50 anos. O chefe da pasta citou, durante encontro nesta terça-feira (15) com jornalistas do Nordeste na sede do Ministério, em Brasília, a ausência de armazéns na Bahia para estocar milho para ração animal, o que prejudicou a distribuição para os produtores baianos afetados pelo fenômeno climático. “Você exporta milho e quando você o traz para o Nordeste não tem onde guardá-lo. Não faz sentido ter os armazéns nas áreas que você produz. Você tem que ter armazéns nas áreas onde o milho será consumido. No primeiro estado que recebeu o milho, a Bahia, cerca de 25 mil toneladas, os caminhões passavam dez dias no ponto de distribuição para descarregar o milho, porque não tinha armazéns para receber e distribuir. Essas são fragilidades que merecem uma crítica. Temos que ter uma visão crítica e a montagem da estrutura de logística tem que ser uma coisa imperativa, porque não tem”, afirmou Bezerra.
 

Em entrevista ao Bahia Notícias nesta terça durante a abertura oficial da 24ª Feira Nacional da Agricultura Irrigada (Fenagri) e da 7ª Exposição de Caprinos e Ovinos do Vale do São Francisco (Expovale), realizada em Juazeiro, no norte baiano, o secretário estadual da Agricultura, Eduardo Salles, assegurou que o problema já foi resolvido, mas reconheceu a ausência de infraestrutura necessária. “Na verdade são duas falhas. Uma é um armazém, já prometido pela presidente Dilma para o município de Luis Eduardo Magalhães, [com capacidade] de 100 mil toneladas. Esse armazém seria uma espécie de ‘pulmão’, que receberia a safra e a Conab [Companhia Nacional de Abastecimento] compraria na época de preço barato e venderia na época do preço caro. Como nós não tínhamos um armazém que recebesse a safra, infelizmente, esse milho foi parar em armazéns do Centro-Oeste, no Mato Grosso, Goiás, e o retorno era inviável porque as carretas não se interessavam em vir logisticamente, enquanto existiam demandas lá”, explicou. Apesar das dificuldades, o problema da falta de milho já foi resolvido. “Nós ligamos para cada um dos prefeitos e conseguimos ampliar de cinco para 23 polos de distribuição de milho e isso tem feito com que os municípios do semiárido baiano não fiquem mais do que 200 km de distância do produto que é vendido a balcão. Inclusive, a gente anuncia que os produtores procurem a Conab para fazer o cadastro e pegar o milho. Já normalizamos e estamos hoje com os armazéns da Bahia cheios de milho”, computou.