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"JANGO FOI MORTO A MANDO DO BRASIL"

Em entrevista exclusiva ao jornal "Folha de S Paulo", o ex-agente do serviço de inteligência do governo uruguaio, Mario Neira Barreiro, 54, disse que espionou durante quatro anos o presidente João Goulart (1918-1976), o Jango, e que ele foi morto por envenenamento a pedido do governo brasileiro. Jango morreu em 6 de dezembro de 1976, na Argentina, oficialmente de ataque cardíaco. Barreiro, que está preso desde 2003 na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (RS), deu detalhes da operação "Escorpião", que teria sido acompanhada e financiada pela Agência de Inteligência Americana (CIA) para matar Jango. Barreiro disse ainda que Sérgio Paranhos Fleury (morto em 1979), à época delegado do Departamento de Ordem Política e Social (Dops) de São Paulo, era a ligação entre a inteligência uruguaia e o governo brasileiro. "A ordem para que Jango fosse morto partiu de Fleury e a autorização, do então presidente Ernesto Geisel (1908-1996)", informou.