Associações carnavalescas defendem Afródomo e direito de arena no carnaval de Salvador
Por Aparecido Silva
Foto: Evilásio Júnior / Bahia Notícias
As recentes declarações do prefeito ACM Neto sobre a elaboração de um novo modelo para o Carnaval de Salvador se transformaram em uma luz no fim do túnel para os grupos que defendem a implantação do circuito para blocos afros, o Afródromo, idealizado pelo cantor e compositor Carlinhos Brown. Uma liga de associações e entidades carnavalescas elaborou um documento no qual manifesta apoio o novo gestor soteropolitano na discussão pela criação do novo circuito. Assinado pelas associações dos Blocos de Salvador (ABS), União dos Blocos de Percussão de Salvador (UBP), Afoxés da Bahia, Blocos Afros da Bahia, União dos Blocos Travestidos de Salvador (Unitraves), dos Trios Independentes da Bahia (ABTI), das Entidades de Samba da Bahia (Unesamba) e Manifestações Indígenas e Culturais do Estado da Bahia, o documento considera o direito de arena na folia “uma questão fundamental” a ser discutida. Segundo Otto Pípolo, presidente da ABS, o direito de igualdade nas arenas está previsto no regulamento do Conselho do Carnaval, mas nenhum dirigente da Saltur propôs a execução. “Há uma resistência a esse direito há muitos anos, a ponto de Lídice [da Mata] fazer a lei e não regulamentar”, lembrou Pípolo em conversa com o Bahia Notícias, onde esteve com os representantes das entidades que lutam pela implantação do Afródromo. Segundo ele, a resistência maior está no setor de grandes blocos e camarotes, que possui maioria de participação nos patrocínios da festa momesca. Jorginho Commancheiro, representante da Associação das Manifestações Indígenas e Culturais, afirma que grandes empresas têm dado apoio financeiro um número reduzido de instituições. “Dando um exemplo, a gente chega na Petrobras e só tem abertura para patrocínio para entre oito e dez entidades. Salvador tem 150 entidades culturais”, reclamou Jorginho. O grupo também lamentou o posicionamento contrário ao Afródromo de figuras do meio afro como o vereador e ex-vice-prefeito Edvaldo Brito (PTB) e o presidente do Olodum, João Jorge. “João Jorge, hoje, deveria ser o representante do conselho do carnaval dos afros”, opinou Jorginho, que foi apoiado por Pípolo. “João tem um conhecimento cultural, uma inteligência rara e deveria dar a colaboração dele dentro do conselho, dentro da coordenação, porque ele pode prestar um serviço importante e relevante para Salvador. É um nome nacional, respeitado”, relatou o presidente da ABS.
