'Gastronomia não tem limite, mas tem que ter personalidade', diz chef Beto Pimentel
Foto: Tiago Melo / Bahia Notícias
Ele é poeta. Mas nunca precisou de caneta para trabalhar, muito menos de papel ou computador. Escreve com as próprias mãos, com colheres, facas, conchas e espátulas. Suas obras são reconhecidas por personalidades de todo o Brasil e do exterior. Beto Pimentel, o gastrólogo com alma de artista, é chef e um dos donos do restaurante Paraíso Tropical, um dos mais tradicionais da cidade, que funciona há anos em uma casa rústica no bairro do Cabula. No local, nada de alimentos industrializados. São servidos apenas produtos orgânicos, grande parte deles colhidos no pomar do próprio restaurante, que conta com mais de seis mil espécies vegetais. Talvez isso, ou o uso de ingredientes tão exóticos quanto originais, como o biri-biri, maturi, achachairú, licuri, entre muitos outros, faça com que os pratos de Beto, muito mais do que deliciosos, sejam verdadeiras experiências sensoriais. Em entrevista ao Bahia Notícias, ele contou as encantadoras histórias do seu restaurante e os segredos e raízes da sua cozinha sustentável. “Eu tenho que ajudar o pequeno agricultor, pagando um preço justo. Porque, senão, vou desestimular esses criadores. Aí eles vão deixar de plantar e espécies maravilhosas acabam sendo eliminadas”, explicou. Formado em química alimentar, o chef também não mediu palavras para criticar as grandes indústrias de alimentos e a cozinha tecnoemocional de Felipe Bronze, o “Mago da Cozinha”, do Fantástico. “Não dá pra gostar daquilo. É horrível! O cara passa três dias pra fazer um prato e, no fim, não tem sabor. Tem tanta química ali que, se a pessoa souber o que está comendo, até desiste”. Confira a entrevista na Coluna Mercado.
