Debate Record: Candidatos começam sabatina com troca de farpas
Por Mariele Góes
Fotos: Max Haack/Ag Haack
No primeiro bloco do debate promovido pela Record Bahia, nesta segunda-feira (22), os candidatos à prefeitura de Salvador inicialmente responderam perguntas feitas pela mediadora Adriana Reid. Por sorteio, a primeira questão foi dirigida a Nelson Pelegrino (PT), que teve que comentar as soluções para os problemas de trânsito e circulação na cidade. O postulante afirmou que o problema pode ser resolvido com uma combinação de fatores, que passa pela valorização e melhoria dos transportes coletivos, inteligência no controle de trânsito, melhoria dos equipamentos, conclusão da linha 1 e implementação da linha 2 do metrô, além de ampliação do trem do subúrbio. “Nós temos que privilegiar o modal público, porque ele é quem realmente transporta a população da cidade”, pontuou. ACM Neto (DEM) comentou a resposta do adversário e afirmou que a cidade necessita de mudanças urgentes no setor. Ele citou semáforos inteligentes e organização de estacionamentos como duas medidas prioritárias que tomará, caso eleito. Ao replicar, Pelegrino informou que seu plano de governo prevê também a implementação de ciclovias, a construção da Avenida 29 de Março e a construção de viadutos em 12 pontos da cidade. A indagação seguinte foi feita a ACM Neto. O candidato teve que responder como promover o desenvolvimento sustentável da cidade, sem grandes impactos para o meio ambiente. Ele afirmou que preservar a natureza é “necessário e vital para nossa cidade” e lembrou o seu compromisso com o PV, legenda da vice da sua chapa, Célia Sacramento. O democrata também confrontou o seu oponente e questionou porque o PT levou “tanto tempo para construir uma simples passarela” na Avenida Paralela. Neto também afirmou que pretende construir apenas seis, e não 12 viadutos na cidade, ao negar que copiou a proposta do petista. Pelegrino rebateu e disse que foi durante a gestão de Imbassahy que o Plano Diretor foi mudado, o que permitiu que a cidade se desenvolvesse para o lado da Paralela. Na réplica, o democrata provocou: “Eu espero que a cota de mentiras do candidato do PT tenha se esgotado”. Pelegrino pediu direito de resposta, e os dois começaram a discutir. “Não aceito que me chame de mentiroso”, disse Pelegrino. “Deputado Pelegrino, mantenha a calma. O senhor mentiu, vou mostrar que o senhor mentiu”, pediu Neto. O tempo de pergunta foi esgotado. ACM Neto afirmou que não era verdade que a sua legenda irá ingressar com ação no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o Código Florestal.

Após advertências da mediadora, os candidatos fizeram perguntas entre si. Pelegrino começou a questão: “O senhor indicou o presidente da Saltur. Por que você não pediu para João Henrique substituir seu indicado, que não atendeu às expectativas?”. ACM Neto rebateu. “Eu nunca indiquei nenhum secretário para a gestão de João Henrique”, disse. O postulante apontou parcerias entre o candidato do PT e a atual gestão municipal e culpou-o pela queda no turismo. “O descaso no turismo é do PT”, afirmou. Pelegrino afirmou que toda estrutura da atual administração atua a favor do democrata e apontou falhas na Saltur, que ele acredita serem relacionadas à legenda adversária. “A responsabilidade é sua e de seu prefeito, pela situação em que a cidade se encontra”, falou Pelegrino. “Quem entende de incompetência e fracasso é o senhor”, respondeu o democrata, ao apontar falhas de Pelegrino como secretário de Justiça. Neto questionou como Pelegrino trataria, caso eleito, uma questão semelhante à greve dos professores. “O senhor tomará medidas seríssimas, como cortar plano de saúde e impedir que os servidores peçam empréstimo, como Jaques Wagner?”. “Se tem alguém que é fracassado é o senhor, que já perdeu duas vezes a eleição municipal. O senhor também nunca administrou nada”, rebateu Pelegrino. O prefeiturável apontou sua gestão na Secretaria de Justiça como muito bem avaliada. “O senhor que fazer confusão entre Segurança Pública e a Secretaria da Justiça”. Pelegrino provocou o adversário. “Nem o seu avô, como afirmava Mário Kertész, te chamou par administrar nada”. Na resposta, ACM Neto afirmou que o candidato mentia e fazia calúnias e pediu que o petista respondesse à sua resposta. Pelegrino afirmou que sempre esteve ao lado dos trabalhadores. “Ao contrário do senhor, que a vida inteira perseguiu os servidores públicos. Nunca o vi em uma assembleia, em uma greve”, disse. Pelegrino também comentou melhorias previstas para os servidores públicos no final do ano.

Na segunda rodada de perguntas, Pelegrino comentou que o adversário foi a Cajazeiras e perguntou se ele sabe quanto custa levar o metrô até lá e como ele pretende fazer isso. “É simples responder à pergunta”, disse ACM Neto. “Quem cortou o metrô foram vocês. O que eu afirmo é que, se eleito prefeito, vou defender que o projeto do metrô seja levado às Cajazeiras. O que eu digo é que a prioridade é Cajazeiras, sem comprometer a linha 2”, respondeu. “Quem cortou foi o seu prefeito João Henrique. Foi ele”, respondeu Pelegrino. O petista afirmou que o metrô chegará ao bairro e lembrou que a presidente Dilma Rousseff, durante comício no bairro, afirmou que sua parceria na Bahia é com ele. “O projeto não existe e o senhor sabe disso. Se o projeto existisse, eu saberia o valor, teria orçamento. Irei conduzir o projeto e garantir que ele chegue até lá”, afirmou. Em sua pergunta, Neto comentou que tanto a presidente quanto o governador afirmaram, recentemente, que não discriminariam o prefeito eleito, independentemente de seu partido. Ele indagou ao petista “quem tem razão, o que eles falaram ou sua propaganda?”. “A presidente Dilma deu um recado claro em Cajazeiras. ‘Meu parceiro em Salvador se chama Nelson Pelegrino’. Está claro isso”, respondeu o candidato do PT. Pelegrino afirmou que ACM Neto não tem condições para governar a cidade, porque não tem parcerias e “time” para administrar. O democrata afirmou que o petista não respondia aos seus questionamentos e que “João Henrique foi da base do governo federal por oito anos e olhem o que aconteceu”. Pelegrino lembrou a aliança do adversário com o PMDB, que, segundo ele, “transformou Salvador em uma trincheira contra o governo do Estado”.
