Em meio à greve, Fórum de Entidades Negras debate ‘Educação e Negritude’; Vovô cobra estatuto à AL-BA
Por Evilásio Júnior
Fotos: Tiago Melo / Bahia Notícias
O Fórum de Entidades Negras realiza nesta segunda-feira (9), às 18h, na sede da Associação Baiana de Imprensa (ABI), na Praça da Sé, em Salvador, o debate “Educação e Negritude”, em meio à greve dos professores da rede estadual de ensino. Entre os palestrantes, estará justamente o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB), Rui Oliveira, além dos acadêmicos Jaime Sodré, Zelinda Barrros, Josenice Guimarães e Guimário Nascimento. Representantes do Ministério da Educação, bem como das secretarias estadual e municipal foram convidados a participar do evento, mas ainda não confirmaram presença. Apesar disso, de acordo com o presidente do Ilê Aiyê, Antônio Carlos dos Santos, o Vovô, o encontro não será marcado por discursos pró-paralisação. “A nossa turma que vai disputar o Prouni e o Enem está muito prejudicada. Eu acho a reivindicação dos professores justa, mas o governo também tem sua razão. Não vamos entrar nesse mérito, mas tem que se encontrar uma solução para que a juventude negra não fique ainda mais prejudicada”, avaliou Vovô, nesta sexta-feira (6), em visita à redação do Bahia Notícias. Segundo o líder, questões como as cotas, o sistema de ensino e a cobrança pela reforma educacional permearão os embates, sobretudo no que se refere à oferta de cursos profissionalizantes. “Hoje nas escolas técnicas o carro dos alunos é mais bonito do que o carro dos professores. Então, virou mais um cursinho para a classe média e fugiu do seu objetivo principal que é atingir e preparar os jovens para o mercado de trabalho”, pontuou Vovô, que foi aluno da Escola de Engenharia e Eletromecânica da Bahia.
Na avaliação do presidente do Ilê, para que a revisão do sistema de ensino seja empregada, há a necessidade também de haver boa vontade política dos representantes da sociedade nos parlamentos. Ele critica, por exemplo, a atividade dos deputados estaduais na promoção da reparação. “Nem se fala mais no Estatuto da Igualdade Racial na Bahia. Tem uma porrada de tempo que isso está encalhado na Assembleia Legislativa e os caras não estão nem aí. Quando for votado, vai sair tudo maquiado. O foco realmente não vai ser atingido”, apostou. Na visão de Vovô, falta também uma mobilização popular para cobrar os resultados esperados pela comunidade. “Nós temos que nos preocupar também com a juventude negra, que não está nem aí. Hoje eu chamo essa turma até de geração PTA. Os caras saem daqui [para eventos nacionais] com tudo marcado, hospedagem, alimentação e acham que está tudo certo. Você vê a questão das cotas, que não está resolvida ainda. Depois que são beneficiados, os caras recebem um salário de R$ 3 mil, R$ 4 mil, acham que está tudo certo e negam ser cotistas. Têm vergonha de dizer. Eu chamo isso de ‘o ranço da escravidão’”, condenou. Como alento, o gestor do bloco afro aponta um avanço na disputa pela prefeitura de Salvador este ano, que conta com candidatos negros em cinco das seis chapas majoritárias.
