Aulões provocam tensão e dúvida entre professores em estágio probatório e Reda
Por Patrícia Conceição
A situação dos professores em estágio probatório e Regime Especial de Direito Administrativo (Reda), convocados para ministrar aulas para estudantes do 3º ano do Ensino Médio em 19 escolas-polo, foi discutida em assembleia dos docentes da rede estadual, em greve há 77 dias. A diretoria do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado da Bahia (APLB) defendeu o direito dos profissionais de não atender ao chamado da Secretaria estadual de Educação e também cruzar os braços para reivindicar o reajuste de 22,22%. “Eles são professores do Estado e têm direito de ampla defesa. O estado de greve não permite demissões. [...] Nós entendemos que a única coisa que o governo pode fazer é abrir um processo administrativo, onde haveria todo o suporte da APLB para exercício do direito de defesa”, argumentou a diretora sindical Marilene Betros. Por outro lado, os docentes convocados para os aulões convivem com suspeitas de que não estariam capacitados a assumir as turmas e seriam usados pelo governo para “fragilizar o movimento”. “Todos estudaram muito para conseguir passar no concurso, nós temos capacidade para estar em sala de aula, a questão não é essa. É que fomos recrutados às pressas, sem o tempo necessário para preparar as aulas para esse tipo de aluno, do 3º ano, que tem algumas demandas mais específicas”, diz uma professora de Artes, em estágio probatório, que pediu para não ser identificada. “Tem um clima mesmo de tensão, tem muita gente se sentindo acuada, com medo, constrangida”, acrescentou em entrevista ao Bahia Notícias. Após uma segunda-feira (25) de salas esvaziadas, o segundo dia de retomada das aulas nas escolas-polo conta com um número maior de estudantes, segundo a Secretaria de Educação, que ainda não divulgou dados oficiais sobre a frequência de alunos e professores.