Comissão da Verdade quer ouvir militar sobre uso de jacarés e jiboia em sessões de tortura
O coordenador da Comissão Nacional da Verdade, o ministro Gilson Dipp, quer ouvir o tenente-coronel reformado Paulo Magalhães sobre o uso de cinco filhotes de jacaré e uma jiboia em sessões de tortura a presos políticos na carceragem do Pelotão de Investigações Criminais (PIC) do Exército, no Rio de Janeiro, na primeira metade dos anos 1970. O oficial revelou ter sido o responsável por capturar os animais no Rio Araguaia, na região Amazônica, e levá-los para o lugar, conhecido como “Casa da Morte”. “Contamos com a boa vontade da parte dele para reconstruir os fatos. É preciso lembrar que a comissão não tem caráter judicial e nem punitivo. Então, eu lhe ofereço essa garantia. Ele não precisa temer consequências”, declarou Dipp. Pelo menos três ex-presos políticos confirmaram ter sido vítimas de tortura com o uso dos animais. “Eles chegaram com um isopor enorme, apagaram a luz e ligaram um som altíssimo. Percebi na hora que era uma cobra imensa, que eles chamavam de Miriam. Felizmente, ela não quis nada comigo. Mas, irritada com a música, a cobra não parava de se mexer. O corpo dela, ao se deslocar, arranhou o meu; chegou a sangrar. Mas o maior trauma foi o cheiro que ela exalava, um fedor que custei a esquecer”, relembrou o jornalista Danton Godinho Pires, que passou 90 dias no PIC. A psicóloga Cecília Coimbra, do Grupo Tortura Nunca Mais, também foi vítima dos militares. Ela lembra que estava em uma cela, nua e amarrada à cadeira, quando um filhote de jacaré passou pelo seu corpo. Informações do jornal O Globo.