Delegado da Tóxicos e Entorpecentes negocia jogadores da base do Bahia
André Garcia também gerencia craque |Foto: A Tarde
Uma empresa comandada pelo titular da Delegacia de Tóxicos e Entorpecentes (DTE) dos Barris, em Salvador, André Silva Garcia, ostenta negócios milionários com o Esporte Clube Bahia. Reportagem do jornal A Tarde mostrou que a Calcio Esportes e Investimentos, sediada em uma pequena sala do Edifício Empresarial Costa Andrade, na capital baiana, abocanhou R$ 1,14 milhão com a venda do volante Filipe, de 19 anos, uma das promessas do tricolor baiano. Quem levou o atleta embora foi o grupo do empresário português Jorge Mendes, que agencia as carreiras de Cristiano Ronaldo e José Mourinho. A transação alcançou a cifra de 2,2 milhões de euros (R$ 5,72 milhões). O clube ficou com 50% (R$ 2,85 mi) e o empresário Marcos Vinicius, que trouxe o jogador do Cruzeiro para o Fazendão, levou 30% (R$ 1,71 mi). Faltou uma fatia do dinheiro. Esta coube à Calcio, que ficou com 20%. Segundo o diário baiano, o curioso é a razão pela qual a empresa teve direito a esta parcela da divisão. Em junho de 2011, o Bahia levou o time sub-21 para disputar o Torneio Angelo Dossena, na Itália. Sem recurso para custear a viagem, como confirmou o presidente Marcelo Guimarães Filho, a agremiação foi bancada pela então recém-fundada Calcio. Em contato com a reportagem, o delegado afirmou: “Ficamos com 20% de Filipe por meio de uma permuta (com o Bahia). Financiamos a viagem e recebemos a contrapartida”. A empresa dele já havia lucrado cerca de R$ 400 mil na venda do meia Maranhão para o Cruz Azul, do México, no início deste ano. Segundo Garcia, o valor era referente também a 20% do atleta, que a Calcio conseguiu a partir de outras permutas com o clube. Um documento oficial do Bahia, de janeiro de 2011, em posse do jornal, comprova que o Bahia detinha 70% dos direitos econômicos de Filipe antes do surgimento da Calcio. Segundo denúncias de fontes que pediram anonimato, com medo de represálias, empresários que levam atletas ao Bahia estão revoltados, pois o presidente estaria a pressionar para que os contratos de parceria com a Calcio sejam assinados, o que MGF nega. Por isso, a empresa deteria porcentagens de cerca de 90% dos jogadores da base. O secretário estadual da Segurança Pública, Maurício Teles Barbosa, afirmou que investigará possíveis irregularidades no envolvimento do agente da Polícia Civil da Bahia com a diretoria do esquadrão de aço.
