Torturado em ditadura militar, homem pede R$ 2 milhões de indenização ao governo
Por Leonardo Martins
Foto: Evilásio Júnior / Bahia Notícias
O conturbado período da ditadura militar interfere até hoje na vida de brasileiros que foram vítimas de atos de atrocidade do regime. Uma delas é o ex-funcionário público federal Oscar Teixeira Barbosa Filho, de 72 anos, que afirma ter sido torturado na época. Em visita à redação do Bahia Notícias, ele levou documentos que comprovam sua internação, de 1969 a 1971, sem prescrição médica, em um hospital psiquiátrico no bairro de Santa Mônica. Segundo Oscar, então um assíduo apoiador do candidato emedebista Adão Souza, a ação foi realizada a mando do senador Manoel Novaes, que pertencia à extinta Aliança Renovadora Nacional (Arena). “Eu tinha uma saúde de ferro, tanto mental como física, mas eles me enviaram para lá. Perdi dois anos da minha vida em um hospital para maluco, sem necessidade. No hospital eles me drogavam e riam de minha situação. Além disso, me submetiam a sessões de cargas elétricas na cabeça, o que me deixou por muito tempo sem raciocinar direito. Cada sessão parecia uma pancada”, relatou. O drama de Oscar na unidade foi finalizado somente após denúncia de um amigo que prestava serviço ao médico que o atendia. Após a alta, ele tentou retornar ao trabalho, mas foi afastado das atividades. “Quando me recuperei, fui até a repartição do Dendezeiros [onde trabalhava] e eles [superiores] riram de mim e me mandaram embora sem me pagar nada, fiquei com uma mão na frente e outra atrás. Eles disseram que eu havia abandonado o serviço, mas fui forçado a me ausentar, não abandonei nada”, afirmou. Cinco anos após o ocorrido, Oscar encaminhou um ofício ao Ministério Público em que solicitava pagamento do valor retroativo ao contabilizado no dia em que foi internado, mas não obteve sucesso. “O Ministério não acatou minha solicitação e, através de um documento, sugeriu que eu procurasse a Justiça Federal para tentar resolver o meu problema, e foi o que fiz”, disse. De acordo com ele, o ofício tramitou por anos até que a Justiça o orientou a entrar com uma ação junto a Defensoria Pública, que ainda não deu resposta. Atualmente, com sequelas no coração e nas pernas, Oscar espera reverter a situação. Na contabilização mais recente, que segundo o ex-funcionário é referente ao ano de 2004, o valor a ser pago beira os R$ 2 milhões.
