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Integrante da Comissão da Verdade, psicanalista associa tortura a 'gozo proibido'

Integrante da Comissão da Verdade, psicanalista associa tortura a 'gozo proibido'
Psicanalista Maria Rita Kehl
A psicanalista Maria Rita Kehl, uma das sete integrantes da Comissão da Verdade, responsável por investigar violações aos direitos humanos ocorridas entre 1946 e 1988, associou as torturas praticadas pelos militares durante o período da ditadura a um “gozo proibido”. “A pessoa que está diante do corpo inofensivo dispondo dele a seu bel-prazer, está gozando. Então me parece que o grande vexame, e não a culpa ou o medo, é o sentimento que pode predominar entre aqueles que terão seus nomes citados eventualmente. Como se fossem devassados no seu sentimento mais íntimo”, explicou, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo. A psicanalista rejeitou o discurso de que os agentes da ditadura atuavam a serviço da nação e lembrou que o Brasil é o único país da América Latina onde os militares foram perdoados sem a exigência do reconhecimento de seus crimes. “Certamente altas patentes militares sabem que essa comissão não tem caráter punitivo. Então, por que a mera divulgação os incomoda tanto? Há hipóteses. A otimista seria a de que têm vergonha do que fizeram. Mas a pessimista, ou realista, é: existe um gozo na teoria psicanalítica, que é o gozo proibido. Tão sem freios que no limite é mortífero”, arrematou.