Presidente da Sobramh diz que profissionais que cometem erros médicos ‘são vítimas também’
Por Felipe Campos - Praia do Forte
Durante a palestra de abertura do 3º Meeting de Saúde do Hospital Isabel, o doutor Carlos Schiavon, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Hospitalar (Sobramh), destacou que a imprensa se equivoca ao “crucificar” um profissional que comete um erro médico. “A imprensa usa muito o termo ‘erro médico’. É um assunto que hoje está muito forte na área hospitalar. Nem tudo é erro médico. Muitas coisas o próprio sistema que leva à ocorrência de um erro. Quando a gente ouve na mídia que a criança tomou ácido, infelizmente, o que acontece é que se crucifica uma pessoa. Mas geralmente esse erro tem por trás vários outros aspectos que levam essa pessoa a errar”, afirmou em entrevista ao Bahia Notícias, momentos antes de palestrar para uma plateia de especialistas de todo o Brasil, que se encontraram no Hotel Eco Resort Tivoli, em Praia do Forte, no fim de semana. “Precisamos desmistificar esse ideia. Isso, eu acho que é uma das coisas mais importantes para a mídia aqui. Essa pessoa é uma vítima também. Muitas vezes essa pessoa não é a culpada sozinha. É um sistema que está mal acertado e leva a pessoa a errar”, comentou. Schiavon também criticou a falta de dados no Brasil sobre o tema e defendeu que a prevenção para estes eventos começa nas atitudes mais simples. “A gente vai desde ações básicas que são muito importantes. Uma delas é os profissionais da assistência médica lavarem a mão antes e depois de manipular o paciente. Só com essa simples atitude, a gente consegue diminuir vertiginosamente a chance de infecção hospitalar, que é um dos principais eventos adversos da área de saúde”, pontuou.