Descaso com terminais rodoviários de Salvador provoca insegurança na população
Por Leonardo Martins
Com quase três milhões de habitantes, Salvador é o município mais populoso do Nordeste e terceiro em relação ao Brasil. Mesmo assim, a situação dos terminais rodoviários evidencia descaso do poder público. Queixas sobre a falta de segurança, a sujeira e a precariedade da infraestrutura das estações são cada vez mais comuns nos pontos de ônibus da capital baiana. O Bahia Notícias foi às ruas e ouviu da população os dramas aos quais ela é submetida no cotidiano. Cobradora de ônibus da empresa BTU, Rosana Santana, de 38 anos, ressaltou a falta de policiamento nos terminais. Segundo ela, na Estação da Lapa muitos assaltos ocorrem durante a semana. “É a maior porcaria e quando dá 18h você não pode ficar ali porque assaltos e arrastões acontecem frequentemente”, relatou. A rodoviária revelou que, recentemente, foi vítima de agressões físicas no local. “Estava no ponto da Estação da Lapa, como usuária mesmo, e uma mulher, que eu pensei que iria me pedir ajuda, me deu um soco e tentou roubar a minha bolsa. Tentei impedir, mas ela estava com mais dois homens, que me espancaram. Não tinha nenhum policial por perto, mas mesmo assim fui a uma delegacia e prestei queixa. Nada foi melhorado. Os crimes continuam acontecendo”, opinou. Ela ainda demonstrou preocupação com os assaltos a ônibus. “A situação é grave. Principalmente na Estação de Transbordo do Iguatemi e na frente do shopping, os bandidos entram com passe livre e roubam os passageiros de vários coletivos, principalmente os que pegam [a linha] Vale dos Rios/Stiep R3. Você não acha policiamento, procura uma viatura e não acha”, lamentou. A secretária Vanessa Campos, de 32 anos, também destacou a falta de segurança como o principal problema enfrentado pelos cidadãos nos terminais soteropolitanos. “Passo frequentemente [Estação Iguatemi e Lapa] e vejo descaso. Os locais são sujos e perigosos, dependendo da hora. Policiamento não existe lá, você não encontra. Eu nunca passei por isso [assalto], mas já ouvi alguns conhecidos falando de terem sido roubados na estação”, contou.
Um agente de trânsito contatado pelo BN, que preferiu não ser identificado, denunciou o excesso de passageiros nos transportes coletivos e a falta de organização dos itinerários. “O que você vê é um absurdo. Não tem como ter ordem nos terminais, são muitas pessoas e muitos ônibus. Às vezes os motoristas são obrigados a passar direto porque o ponto está cheio demais. Além disso, as pessoas ficam praticamente na pista esperando o transporte e isso atrapalha o andamento das coisas”, explicou. Para amenizar o problema, o fiscal defendeu o funcionamento metrô o quanto antes. Para ele, um modal sobre trilhos é capaz de dividir a demanda com os ônibus. “Não adianta uma empresa comprar 100 ônibus, outra comprar mais 100 e outra comprar mais 100. O problema é no tipo de transporte. Acredito que a solução seja um transporte que ande no trilho, mas o metrô não sai. Já tem anos e anos e ele nunca fica pronto. Agora, a ministra implicou com a liberação do metrô e ele só deve funcionar quando o da Paralela estiver pronto. É complicado”, desabafou.
