Incentivos do governo às empresas ultrapassaram R$ 98,7 bi em seis anos
De 2007 a 2012, o governo baixou medidas que desoneraram as empresas em, no mínimo, R$ 97,8 bilhões. O levantamento foi feito pela Receita Federal e divulgado pelo Estadão. A cifra é o dobro do que o governo pretende gastar no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) este ano e corresponde a quatro vezes a verba reservada para o programa Brasil sem Miséria, prioridade da presidente Dilma Rousseff. As desonerações não foram adotadas como uma estratégia ou política de governo, mas foram reações aos efeitos da crise global que deprime a economia mundial desde meados de 2008 e afetou gravemente a competitividade da indústria brasileira. Porém, o avanço dos importados e a tendência de desindustrialização parecem imunes à atuação do governo. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, completa seis anos no cargo na terça-feira (27). Em suas primeiras entrevistas, ele já falava em desonerar a folha salarial das empresas, medida que foi novamente prometida esta semana, durante a reunião com a presidente Dilma. Também apontava o câmbio como um problema central, mas o dólar barato continua sendo a maior dor de cabeça do setor produtivo. "O governo pode ter desonerado bastante, mas a carga tributária não caiu. Ao contrário, aumentou. O custo de produção continua alto e maluco", diz o economista Mansueto Almeida.