Brasil tem pacto antiliberal entre elites e governo, diz economista
Em entrevista à Folha de S. Paulo, o economista Persio Arida afirma que as elites e o governo brasileiro firmaram um pacto antiliberal. Em sua argumentação, ele destaca que o Brasil foi o último país a ter escravidão, o último a ter hiperinflação e tem um regime de remuneração do FGTS que prejudica os trabalhadores. Arida ressalta também que o governo demorou muito para criar a Comissão da Verdade para apurar crimes da ditadura. Um dos idealizadores do Plano Real, o economista aponta um denominador comum entre escravidão, hiperinflação e FGTS: "Os mais prejudicados são os mais pobres, sempre". Arida elogia o primeiro ano do governo Dilma Rousseff do ponto de vista macroeconômico (“governo mais austero”), mas afirma não gostar do que classifica como uma “tendência protecionista”, exemplificada no caso do aumento do IPI para carros importados. "Se está protegendo um grupo de multinacionais contra outro grupo de multinacionais", avalia. Ex-presidente do BNDES, ele critica a atual política do banco de fortalecer os chamados "campeões nacionais", os grandes grupos. Na sua opinião, "quem tem acesso ao mercado de capitais privado não deveria usar recursos do BNDES".