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FUTEBOL E POLÍTICA

Em seu comentário de hoje no jornal “A Tarde”, Samuel Celestino relata que a tragédia da Fonte Nova tem muito a ver com ciclos políticos baianos e suas relações, espúrias ou não, com o futebol. “A degradação do estádio, inaugurado pelo governador Octávio Mangabeira em 1951, foi um processo continuado: nunca experimentou reformas estruturais, a não ser a ampliação em 1970, pelo governador Luiz Viana Filho. Inaugurou, em festas, as arquibancadas superiores, com a presença do ditador Garrastazu Médici. (...) O estádio recebeu, à época, 112 mil espectadores e conheceu a sua primeira tragédia: mortos e feridos com conseqüência do pânico que se instalou quando o estádio começou a trepidar, em razão do número exorbitante de torcedores. Diversas pessoas desabaram da nova arquibancada para a inferior”. Segue Celestino: “O futebol baiano se degradou, assim como a Fonte Nova, porque os políticos dele se apoderaram. Começou antes do ciclo ACM, nos anos 50, quando Osório Villas-Boas, presidente e maior cartola do Bahia, tomou conta do clube”, ressalta. Ele finaliza dizendo que "os clubes dos outros Estados se afastaram da influência e proteção políticas, e se reorganizaram. A Bahia ficou para trás. Por ironia, quando surgiram sinais de uma fase de ressurreição, aconteceu a tragédia do último domingo. Certamente, marcará o fim de uma história, ou de um ciclo".