Quarta, 17 de Maio de 2017 - 00:00

Candeias: Oposição pede apuração de casos de falsos médicos

por Ana Cely Lopes

Candeias: Oposição pede apuração de casos de falsos médicos
Foto: Divulgação

O presidente da Câmara Municipal de Candeias, Fernando Calmon, e outros cinco vereadores apresentaram nesta terça-feira (16) denúncia ao Ministério Público Federal (MPF) de que dois falsos médicos estariam atuando em uma unidade de saúde do município. O primeiro caso, divulgado em alguns blogs de Candeias, é do suposto médico Filipe Borges, que seria atendente no Posto Médico Luiz Viana Filho. Filipe estaria utilizando o CRM de outro profissional, identificado como Filipe Borges de Moraes, falsificando a carteirinha com uma assinatura diferente da apresentada em um prontuário de seu paciente. "De acordo com a carteira, a data de inscrição que ele está habilitado para trabalhar como médico é 14 de novembro de 2015, só que o CRM é de quem possivelmente teria se formado em 2010/2011 e nunca em 2015", afirmou o presidente Fernando Calmon. Em serviço, o suposto falso médico teria atendido um homem que teria ido a óbito pouco tempo após ter receitado remédio injetável receitado por ele. No atestado de óbito aparece como causa "infarto agudo do miocárdio". Neste mesmo dia, 28 de janeiro, a Prefeitura Municipal de Candeias publicou uma foto em que Filipe aparece como reforço nos plantões médicos na região:



Só que em uma lista de beneficiários do programa Bolsa Permanência da Universidade Federal da Bahia (PBP/MEC) de abril de 2016 consta o nome "Filipe Borges Brandão" como estudante de medicina. "A gente acredita que se instalou nessa unidade de saúde uma organização criminosa, que se utiliza de nomes de médicos que não trabalham na área de saúde pública e sim na área de saúde privada", explicou Fernando. O presidente teria chegado a essa conclusão após apurar outro caso semelhante no mesmo posto. Uma mulher também estaria se passando pela médica oncologista Adriana Maltez Hassan, que atua em unidades privadas na capital baiana. Em prontuários apontados como prova, há fichas de atendimento com nome Adriana P. Maltez, cirurgiã geral e o CRM da oncologista.
 


 

Quando procurada pelo presidente da Câmara, a médica que teve sua identidade furtada teria dito que nunca havia colocado os pés em unidades de saúde do município de Candeias e nem dado plantão. A denúncia surgiu após o recebimento de imagens feitas de conversas de um grupo de Whatsapp de médicos da região. "A coitada não sabe nem que o nome dela está sendo usado", apontou alguém na conversa. "Ela colocou uma ampola de dipirona para um paciente de 1 ano. As meninas questionaram e ela perguntou: Faz quanto? Foi respondido 0,5 ml e ela fez", contou outra pessoa, afirmando que a suposta médica iria receitar uma alta dose de remédio para uma criança de 1 ano, ao ser questionada por uma enfermeira. A conversa continuou e em um determinado momento uma pessoa sugere que Adriana não assinou o livro de plantão e que "falou que Lourival acertava com ela depois". Fernando explicou que Lourival é coordenador médico da unidade e é apontado como alguém que paga a alguns médicos "em mãos", do "bolso dele", o que é um crime.
 


 

"Em coisa pública a gente tem que pagar por meio de licitação ou modos lícitos", disse o presidente. Após a divulgação dos casos, Filipe Borges desapareceu da unidade e não se sabe informações sobre a suposta médica Adriana P. Maltez. "Há um dolo, há má fé. É um crime gravíssimo você se medicar as pessoas se passando por um profissional. E é cabível o MP apurar o fato de ter dois casos na mesma unidade", reclamou Fernando.  Além do MPF, os vereadores registraram denúncias no Conselho Regional de Medicina do Estado da Bahia, Sindicato dos Médicos do Estado da Bahia, Polícia Federal e Tribunal de Contas dos Municípios. Respondendo as acusações na página oficial da prefeitura municipal, a secretária de saúde de Candeias, Soraia Cabral, afirmou que “não comungará com nenhum ato à margem das leis". Na nota, consta que o a secretaria está "fortalecendo a relação com os órgãos de controle e fiscalização social, com o Ministério Público e com o Conselho Municipal de Saúde com o objetivo de dar total lisura às ações desta pasta”, esclareceu a gestora.

Histórico de Conteúdo