Professora relata trauma após uso de imagem em vídeos pornográficos de IA em Feira de Santana
Por Redação
Dois jovens, um deles adolescente, foram identificados como autores de vídeos pornográficos feitos por inteligência artificial [IA] de uma professora de Feira de Santana. Um deles seria aluno da docente, de 47 anos, informou o g1. O fato foi denunciado pela própria professora.
Ao Acorda Cidade, parceiro do Bahia Notícias, a docente relatou que ficou abalada ao descobrir que a imagem dela havia sido utilizada sem autorização para produzir o material.
“Faltou ar. Foi um momento muito constrangedor. Por mais que a gente saiba que a gente não tem feito nada, fica vergonha. Você saber que pessoas visualizaram aquilo, você está ali e não escolheu estar numa plataforma de pornografia, e sem controle sobre isso, foi uma situação muito difícil”, relatou ao site feirense.
Ela também defendeu que situações semelhantes não sejam normalizadas e cobrou uma regulamentação mais rigorosa para esse tipo de uso da inteligência artificial. Ainda segundo informações, depois de descobrir os vídeos, a professora fez capturas de tela do conteúdo e salvou os links das publicações.
Ao tentar acessar novamente a plataforma, percebeu que uma das contas já havia sido removida. Cerca de 48 horas depois, segundo ela, a segunda conta também foi retirada do ar.
A docente procurou logo a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam). Depois, foi encaminhada à Delegacia para o Adolescente Infrator (DAI), diante da suspeita de envolvimento de adolescente no caso. A professora também orientou outras pessoas que tenham imagens manipuladas por meio de deepfake a procurar a polícia.
Ela contou ainda que soube da existência dos vídeos no próprio ambiente de trabalho. Ao chegar para dar aula, foi informada de que dois conteúdos com a imagem dela estariam publicados em um site pornográfico. Inicialmente, segundo a docente, ela teve dificuldade para compreender o que estava acontecendo.
Depois, decidiu verificar a informação e encontrou os vídeos. Atualmente, tanto os conteúdos quanto as contas utilizadas para publicá-los foram removidos e não estão mais disponíveis na plataforma.
A professora afirmou que, embora não tenha sofrido violência física, o episódio provocou consequências emocionais e uma sensação de insegurança.
Apesar do impacto causado pelo caso, a professora destacou o apoio recebido das instituições de ensino em que atua, além do acolhimento de colegas, familiares e amigos.
