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Para proteger comunidades Indígenas, MPF pede suspensão das licenças ambientais para Usina Hidrelétrica de Itapebi

Por Redação

Para proteger comunidades Indígenas, MPF pede suspensão das licenças ambientais para Usina Hidrelétrica de Itapebi
Foto: Divulgação / MPF

O Ministério Público Federal entrou com um processo na justiça pedindo a suspensão imediata de todas as licenças ambientais concedidas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para a Usina Hidrelétrica de Itapebi (UHE Itapebi), na Costa do Descobrimento.

 

Segundo o pedido, a suspensão deve durar até a autorização do Congresso Nacional e a complementação dos Estudos de Impacto Ambiental (EIAs) com a elaboração do Estudo do Componente Indígena (ECI) e a Consulta Prévia, Livre e Informada (CPLI) dos indígenas afetados.

 

A ação, que foi assinada pelo procurador da república Ramiro Rockenbach, tem como objetivo assegurar a devida proteção aos povos originários das Terras Indígenas Tupinambá de Belmonte e Encanto da Patioba, que ficam localizadas nos municípios de Belmonte e Itapebi, respectivamente. Além disso, o processo visa garantir que as falhas no processo de licenciamento da UHE Itapebi sejam reconhecidas e resolvidas. 

 

O órgão também está tentando garantir a implementação de medidas eficazes que evitem a perpetuação dos impactos socioeconômicos negativos que foram causados pelo empreendimento, que alterou negativamente as condições ambientais necessárias à reprodução física e cultural dessas comunidades indígenas.

 

Para isso, a ação pede que a União, por meio dos Ministérios dos Povos Indígenas e do Meio Ambiente e Mudança do Clima, monitore o aporte de recursos humanos e materiais para assegurar a adequada finalização do Estudo do Componente Indígena e a Consulta Prévia, Livre e Informada dos indígenas afetados. Além disso, requer que a Itapebi Geração de Energia e a Neoenergia iniciem, no prazo de 30 dias, a construção de sistema para transposição de peixes na UHE Itapebi.

 

O pedido também requer que as empresas implantem medidas relacionadas ao fluxo das águas do Rio Jequitinhonha (volume no reservatório, aumento da vazão, liberação de água pelos vertedouros etc) de forma a garantir a pesca, a navegação e a segurança dos integrantes das comunidades indígenas e demais cidadãos, com a devida e comprovada comunicação aos afetados.

 

O Ministério Público solicita, por fim, que todas as licenças e autorizações ambientais que foram concedidas pelo Ibama no processo de licenciamento da UHE Itapebi sejam declaradas nulas. Além de solicitar que a União, o Ibama, a Itapebi Geração de Energia e a Neoenergia paguem uma indenização de no mínimo R$5 milhões por danos morais coletivos. O valor deve ser revertido em investimentos diretos em políticas públicas destinadas às comunidades indígenas Tupinambá de Belmonte e Encanto da Patioba.