Greve de UPAs em Camaçari: Sindicato dos Médicos e Sesau trocam acusações
Por Bruno Luiz
UPAs estão em greve desde 23 de dezembro | Foto: Divulgação
Decretada ilegal pelo Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), com multa diária de R$ 50 mil em caso de descumprimento da decisão (leia mais aqui), a greve em quatro Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) de Camaçari, iniciada em 23 de dezembro do ano passado, continua. Sindicato dos Médicos da Bahia (Sindimed) e prefeitura não chegaram a um acordo para colocar fim ao movimento que parou as unidades dos bairros de Nova Aliança, Arembepe, Monte Gordo e Vila de Abrantes em plenas festas de fim de ano. Longe de chegarem a um denominador comum, as partes trocam acusações sobre de quem é a responsabilidade pela greve. Em entrevista ao Bahia Notícias, o presidente do Sindimed, Francisco Magalhães, afirmou que a prefeitura “não deu importância” às reinvindicações dos médicos. Eles pedem melhores condições de trabalho, como insumos, reposição de profissionais, infraestrutura nas unidades e segurança, além de pagamentos de salários atrasados. “Ela (prefeitura) há muito tempo foi provocada, mas só foi dar importância com a instalação da greve. Nossas reivindicações pedem melhores condições de trabalho, reposição de material, como lâminas, medicamentos, que estavam faltando. Muitos médicos foram sendo desligado. Em plantão para ter quatro médicos, só tinha um. A situação que os médicos trabalham hoje é desumana”, criticou na tarde desta quinta-feira (7). Já o secretário de Saúde do município, Washington Couto, rebate as acusações do presidente do Sindimed e afirma que o governo sempre esteve aberto a negociações, enquanto a entidade agiu de forma “intransigente”. Segundo ele, as reivindicações dos médicos já estão sendo atendidas. “É um sindicato que não quer dialogar. Nossa mesa de negociações está aberta. Nós concordamos com os sindicatos, acolhemos reivindicações como reposição de medicamentos, salários em dia, muitas unidades foram reformadas, reajustadas. Estamos aceitando as reivindicações, mas não aceitamos a intransigência do sindicato em se sentar na mesa de negociações”, bradou. Ele ainda acusa o sindicato de não manter o mínimo de 30% de médicos nas unidades, percentual determinado pela lei. “Esta greve já começou ilegal. Ele levaram menos de 24h, desde que nos notificaram, para começar a greve. O prazo é de 48h até 72h. Eles também não têm cumprido os 30%. Vamos notificar a Justiça de que as decisões não têm sido respeitadas”, afirmou. No mesmo ritmo do imbróglio entre prefeitura e Sindimed, vai também a judicialização da greve. Francisco Magalhães afirmou que o sindicato vai ingressar com recurso na Justiça para suspender a decisão que declarou o movimento paredista ilegal, além de requerer a transferência do processo para a Justiça do Trabalho. “A gente quer remeter a discussão da greve para a Justiça do Trabalho. O empregador dos médicos é uma empresa privada, a Fundação Estatal Saúde da Família (FESF)”, explicou. Se de um lado a entidade médica toma suas providências para manter a greve viva, a Secretaria de Saúde municipal (Sesau) tem realizado ações para mitigar as consequências do movimento, segundo o titular da pasta. “Estamos executando a multa de R$ 50 mil por dia determinada pela justiça e estamos contratando médicos, em caráter extraordinário”. Couto ainda fez outra acusação contra o sindicato: a entidade estaria tentando inviabilizar que médicos temporários fossem contratados pela Sesau. “Houve um movimento no sindicato para impedir que esses médicos trabalhassem. Nós estamos abertos a negociações. É inadmissível que o sindicato não tenha consciência do quanto prejudica os moradores da cidade”, criticou.
