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Após Brumado desobrigar máscaras, especialistas criticam decisão: 'Não é momento'
Foto: Reprodução / Rede Bahia

Após o prefeito da cidade de Brumado, no Sertão Produtivo, suspender o uso obrigatório de  máscaras de proteção contra a Covid-19 (ver aqui), a Secretaria de Saúde do estado da Bahia reiterou que não há orientação do estado para a suspensão do uso do equipamento de segurança. Especialistas em virologia e infectologia defendem que este não é o momento para a suspensão do uso.

 

O prefeito Eduardo Vasconcelos (sem partido) se valeu da determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelece que estados e municípios são autônomos na tomada de decisões no enfrentamento à pandemia, para justificar a retirada da obrigatoriedade. 

 

A determinação levou em consideração o fato dos boletins epidemiológicos divulgados diariamente pela Secretaria Municipal de Saúde apontar para uma constante diminuição no número de casos ativos da infecção na cidade.  

 

O decreto de nº 5.584, também leva em conta que a cidade tem 58.777 pessoas elegíveis para a vacina contra a covid-19, sendo que, desse total, 88,61% já recebeu a primeira dose e 58,79% a segunda dose. 

 

Ao Bahia Notícias, Vasconcelos reforçou que na cidade não há mais necessidade do uso das máscaras. “Diante do quadro que temos hoje, fechamos as UTIs Covid e também fechamos a UPA Covid. Além disso, também não há registro de novos casos. Por isso consideramos que o efeito psicológico que prevalece do uso da máscara no pós pandemia é danoso. Até pelo baixo grau de entendimento das pessoas. Você vê casais que dormem juntos e, dentro do carro, estão sozinhos e de máscara, isso mexe com o parafuso da cabeça da gente”, disse. 

 

No entanto, o entendimento de especialistas diverge do gestor. Ao Bahia Notícias a Sesab informou que especificamente para o uso das máscaras, ainda não há orientação do estado para a suspensão do uso do equipamento em qualquer ambiente.

 

Para a epidemiologista do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs), Andrêa Ferreira, a decisão do gestor é precipitada. “Considero que seja uma decisão precipitada, e não alinhada com as evidências disponibilizadas pela ciência até o momento, mesmo diante dos avanços nos números da vacinação neste município”, disse. 

 

Ainda de acordo com a pesquisadora, no atual momento, não há parâmetros considerados ideais ou seguros para a desobrigação do uso de máscaras. “Alguns países, a exemplo de Portugal, tem testado, com relativo sucesso, a desobrigação do uso de máscaras apenas em locais abertos. Porém, a sua decisão foi pautada em estudos nacionais sólidos e análise de parâmetros específicos, a exemplo da cobertura da vacinação completa, taxa de infeção, variantes circulantes, taxa de internação de Covid-19 entre os jovens, e com manutenção da vigilância sobre as variantes do SARS-CoV-2 circulantes e reforço da testagem no país”, disse.

 

Para Ferreira, só diante destas ações a decisão para a retirada da obrigatoriedade se mostra fundamentada “em diversos parâmetros, que não somente a cobertura vacinal". "Isto só reforça a necessidade de cautela que devemos ter ao suspender ou flexibilizar as medidas de segurança contra a Covid-19, em particular sobre o uso de máscaras, um item de proteção coletiva”, completou.

 

Para a médica infectologista Clarissa Cerqueira, a estabilização do número de casos é um fator positivo. No entanto, é preciso observar outros fatores para se pensar em liberar a obrigatoriedade do EPI. “Também temos que analisar se já temos mais de 50% da população com a vacinação completa. Essa é uma tendência que observamos em alguns países que vem liberando a obrigatoriedade, porém é algo que vai acontecer, mas que poderá ter de voltar atrás”, disse. 

 

A especialista reforçou a necessidade de se manter a adoção de protocolos sanitários de enfrentamento a pandemia. “Temos que focar na vacinação e permanecer com as boas práticas. Por mais que o uso da máscara não seja obrigatório, aqueles que querem se proteger, ao ir em um ambiente com aglomeração, por exemplo, não devem deixar a áscara de lado. Se estivar doente, também continue de máscara. Pode ser um resfriado simples, mas também pode não ser”, disse, reforçado a importância da higienização das mãos e do distanciamento social. 

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