Praias da cidade de Nova Viçosa são atingidas por lama; situação preocupa moradores
Pesquisadores analisam o surgimento de lama nas praias de Nova Viçosa, no sul da Bahia. Por enquanto, não há explicações para o problema, que surgiu há oito anos, segundo moradores e comerciantes do município.
De acordo com o G1, eles dizem que a situação tem piorado com o passar dos anos e quando a maré recua, a lama se torna mais visível. Em alguns pontos, a água tem aparência totalmente escura e espessa, ultrapassando mais de um metro de camada de lama.
“Essa lama, na maré baixa, está constante. Tem dias que está pior, ontem estava pior que hoje. Essa lama pega da praia do Pau Fincado até a praia Lugar Comum, onde não tem condições de você entrar na água”, conta o comerciante Uderlei Palumbo.
Em dezembro de 2018, foi criado um grupo de trabalho composto por representantes da comunidade, do poder público e da empresa Suzano Papel e Celulose, que, segundo os moradores, é responsável pelo surgimento da lama. Eles afirmam que o lamaçal é originado da dragagem feita pela empresa, nas imediações do Terminal Marítimo de Caravelas.
Especialistas no assunto foram contratados pela prefeitura e pela Suzano, para identificar a origem e buscar uma solução para o problema. Além de análises, foram feitas simulações relacionadas ao tempo de descarte do sedimento de dragagem.
Segundo representantes do grupo de trabalho, os estudos mostram que, após alguns anos, o sedimento continua se transportando e se acumula em uma área chamada de Bota Fora, onde é feito o descarte. O estudo indica ainda que a lama pode ter relação com a erosão costeira que ocorre na região estuária, em virtude do desmatamento dos manguezais.
O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas da cidade, Cristiano Martins, relata prejuízo para barraqueiros e outras pessoas que trabalham nas praias de Nova Viçosa, por causa da lama. "É um problema muito sério. Houve uma queda brusca do movimento por causa disso. Chegam pessoas no final de semana na cidade que vêm na praia, veem lama e vão embora na hora”, disse.
Por meio de nota encaminhada à redação do Bahia Notícias, a Suzano informou que ao receber o resultado do estudo apresentado ao grupo de trabalho, também integrado pela empresa, se deu conta de que o relatório não trazia um diagnóstico, mas sim hipóteses sobre a ocorrência.
Por esse motivo, a empresa revela ter avaliado junto à equipe interna e outros profissionais especializados no tema. "Nessa análise, observamos que havia insuficiência técnica e falhas metodológicas. O estudo, portanto, se mostrou inconclusivo. As nossas operações de dragagem em Caravelas são monitoradas há cerca de 20 anos, dentro de rigorosos padrões técnicos acompanhados e fiscalizados pelos órgãos ambientais. Desde que surgiram os primeiros questionamentos, intensificamos essa rede de monitoramentos, que foi ampliada para trazer ainda mais segurança às operações", diz parte da nota.
Ainda de acordo com a empresa, os monitoramentos concluem que as variações de turbidez na região não têm influência das operações de dragagem e descarte de sedimentos. "Um fato importante a ser considerado é que a geologia e a hidrodinâmica da linha de costa da região apresentam características que ocasionam águas turvas, em grande parte do tempo. Essa situação já era observada antes mesmo da instalação do empreendimento na região", disse.
A Suzano declarou que segue mantendo uma relação de diálogo e proximidade com o município onde realiza diversas ações conjuntas voltadas ao desenvolvimento social, à educação e ao meio ambiente. (Atualizada às 16h00)
