Campo experimental de sementes crioulas de milho é implementado em Barreiras
Um Campo de Produção Experimental de Sementes Crioulas de Milho foi implementado no Assentamento Ilha da Liberdade, em Barreiras, no Sudoeste baiano. A ação, de acordo com o governo do estado, segue a produção de base agroecológica, na perspectiva de resgatar e preservar aspectos culturais e ambientais do cultivo, além de possibilitar a garantia da soberania alimentar e nutricional e o fortalecimento da agricultura familiar.
Com apoio técnico da Superintendência Baiana de Assistência Técnica e Extensão Rural (Bahiater), unidade da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), e com as orientações e acompanhamento da equipe técnica que atua no Serviço Territorial de Apoio à Agricultura Familiar (SETAF), do Território de Identidade Bacia do Rio Grande, com sede em Barreiras, o projeto atua desde a orientação sobre o preparo do solo, até a fase de finalização do plantio.
O campo experimental foi implantado na propriedade do agricultor familiar, José Carlos de Almeida. Ele ressalta que a parceria para a produção do milho 100% natural é proveitosa. “Estamos fazendo uma experiência de cultivo de milho crioulo, com muito trabalho, mas que nos surpreendeu. Eu sempre tive vontade de trabalhar com produtos agroecológicos, mas não tinha o conhecimento técnico e com a presença da assistência técnica, nós avançamos bem, com o plantio do milho de sementes crioulas. Futuramente queremos fazer um banco de sementes aqui no assentamento e avançar com esse projeto incluindo outras famílias”, disse.
O extensionista da Bahiater, Carlos Augusto, que atua na implantação do projeto, afirma que o trabalho representa o resgate de uma tradição possibilitam que sejam preparados os ‘guardiões de sementes’ e também os ‘bancos de sementes’, iniciativas que garantam a continuidade das variedades genéticas e de outras culturas tradicionalmente cultivadas na região “A ideia é não deixar morrer essas sementes antigas, que foram selecionadas por décadas passadas, de geração em geração, e seguem preservadas por famílias de agricultores, quilombolas e geraizeiros”, diz.
De acordo com o governo do estado, as orientações para os cuidados com o plantio, feito em janeiro de 2021, em uma área de 0,8 hectare, foram destinadas ainda à prevenção de pragas e doenças com produtos naturais, a exemplo de óleo de nim, urina de vaca e micro-organismos eficazes, entre outros. A estimativa da safra de milho crioula, do campo experimental é de 5.300 quilos por hectare e um total de 88 sacas de 60 quilos.
As sementes crioulas de milho, da variedade Zea mays L, além de serem multiplicadas para os agricultores familiares do assentamento, serão selecionadas e classificadas para serem comercializadas para outras famílias agricultoras da região. A iniciativa conta com a parceria da empresa JCO Bioprodutos – Sustentabilidade no Campo, responsável pelo tratamento de sementes, com inoculante microbiológico. A empresa atua na germinação, vigor e produtividade de sementes.
