Embrapa faz alerta para surto de doença em caprinos e ovinos criados na caatinga
Criadores de caprinos e ovinos do Vale do São Francisco baiano devem ficar atentos quanto a enterotoxemia. Causada por uma toxina chamada épsilon, produzida pela bactéria Clostridium perfringens Tipo D no trato gastrintestinal dos animais, a doença provoca um quadro de infecção aguda. Por isso, a Embrapa Semiárido [Petrolina-PE] fez um alerta aos criadores devido ao alto índice de mortalidade da enfermidade.
Segundo a médica veterinária e pesquisadora responsável pelo Laboratório de Sanidade Animal (LSA) da Embrapa Semiárido, Josir Laine Veschi, o principal meio de proteger o rebanho é pela vacinação. Além disso, outras medidas também são de importância para diminuir o surgimento da doença:
“A introdução dos animais nas áreas de Caatinga com rebrota deve ser realizada pausadamente, os carboidratos devem ser incluídos gradativamente na alimentação, assim como o desmame e introdução dos animais jovens na pastagem devem ser realizados de maneira gradativa”, orienta a veterinária. Vários fatores estão associados à ocorrência da enterotoxemia em caprinos e ovinos, como mudanças bruscas na alimentação, dietas muito ricas em carboidratos, situações estressantes, ou ainda a ocorrência de diversos outros fatores, ainda não totalmente esclarecidos.
Laine Veschi também informa que nesse período de início das chuvas na região, a vegetação da caatinga está em fase de rebrota e nascimento de novas plantas. Segundo a médica veterinária, elas são muito atrativas para os animais por serem mais saborosas e nutritivas. Assim, ocorre uma mudança brusca na alimentação deles.
“Desta forma, a bactéria (C. perfringens), que já estava vivendo como habitante comum do intestino dos animais, sem qualquer prejuízo, se prolifera de maneira exagerada e produz elevadas quantidades da toxina épsilon, provocando a doença”, diz.
