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Marca Bahia Notícias

Notícia

Jornalistas baianas comentam movimento contra assédio e machismo no esporte

Por Clara Gibson

Jornalistas baianas comentam movimento contra assédio e machismo no esporte
Foto: Reprodução / Instagram

Março, o mês da mulher, caracterizado pelas pautas feministas e discursos sobre igualdade de gênero, foi também marcado por casos de assédio que movimentaram a imprensa esportiva brasileira. Nas primeiras semanas do mês, a repórter Renata Medeiros, da Rádio Gaúcha, foi xingada e agredida por um torcedor durante o jogo do Grêmio contra o Internacional. Três dias depois, durante a cobertura ao vivo de uma partida de futebol no canal Esporte Interativo, a repórter Bruna Dealtry foi beijada à força por um torcedor na partida entre Vasco e Universidad do Chile. Problemas como esses são enfrentados por muitas jornalistas do meio esportivo.

 

Diante disso, um grupo de cerca de 50 mulheres profissionais do ramo se uniu para formar o movimento #DeixaElaTrabalhar, que tem como objetivo fomentar uma discussão sobre os episódios, além de tentar combater o assédio moral, sexual e o machismo no jornalismo esportivo. “Precisamos falar sobre o assunto. Parece simples, sermos respeitadas, mas no dia a dia não é o que acontece. Pelo simples fato de sermos mulheres, somos xingadas, duvidadas, assediadas e constrangidas. E não só nos estádios, mas também nas redações, por colegas de trabalho e em todos os lugares que precisamos exercer nossa profissão. A importância do nosso movimento é pra dizer: chega de tratar isso como algo normal”, comenta a jornalista Clara Albuquerque, do Esporte Interativo.

 

O #DeixaElaTrabalhar, lançado no domingo (25) e ganhou as redes sociais, sendo compartilhado por mulheres, jornalistas, clubes brasileiros, noticiado em veículos nacionais e internacionais e contando com o apoio de jornalistas de outros países. “Acho que a mulher deve se colocar sempre, se unir a outras mulheres que também trabalham no meio. Acho que esse movimento mais do que nunca traz a união como essência, como a força, vai fazer com que as pessoas reflitam mais do que nunca. Pra ser mulher e trabalhar no jornalismo esportivo tem que engolir muito sapo e tem que saber que você algum dia vai ter sua capacidade e a sua competência questionada por ser mulher, é com isso que a gente quer acabar”, diz Ida Sandes, editora do Sportv.

 

O machismo vem de todos os lados no jornalismo esportivo. De acordo com a jornalista Juliana Lisboa, repórter da TV Aratu, lidar com futebol é o mesmo que lidar com uma paixão, geralmente vista como masculina, colocando à prova o trabalho das profissionais, que precisam provar constantemente que tem conhecimento suficiente para estar no lugar que estão. “Quando você coloca uma mulher pra falar de futebol, se ela não entender, se ela não mostrar que ela sabe tanto ou mais do que os outros colegas, do que os outros jornalistas que estão no ramo porque são homens, e por isso já tem carimbado esse atestado de conhecimento em futebol, então ela vai ser desvalorizada porque ela é mulher”, explica ela. Sobre os episódios que sucederam no mês de março, Juliana comenta que apesar deles causarem muito mais repulsa, são apenas parte do problema vivenciado pelas jornalistas que cobrem esportes. “Existem também os casos mais sutis, que são praticados por colegas de imprensa. Às vezes é numa coletiva que não deixam você falar, ou quando explicam com muita condescendência porque subentendem que você não vai entender tão bem quanto eles. O preconceito pode vir do próprio público, dos próprios torcedores, que não esperam muita coisa de você ou então que duvidam da sua palavra porque você é mulher”, conta Juliana.

 

A campanha tenta mostrar às pessoas que os estádios também são locais de trabalho para mulheres, que assim como qualquer outro profissional, merecem respeito. "Acho que esse tipo de campanha tem um papel fundamental para fortalecer as mulheres e inibir ou até conscientizar os machistas e preconceituosos", diz Juliana Guimarães, apresentadora do programa Os Donos da Bola, na Band. "O lugar da mulher é onde ela quiser estar, é onde ela se sente bem e confortável. Somos livres para estar nos campos, quadras, tatames... e onde a gente bem entender! Deixa ela trabalhar!", completa.