Irã propõe reabrir estreito de Hormuz em dois dias caso EUA aceitem condições impostas
Por Folhapress
O Irã afirmou nesta segunda-feira (2) que está preparado para reabrir o estreito de Hormuz em até dois dias, e não em sete, como previa a proposta anterior, caso Washington aceite suas condições. A rota marítima, bloqueada por Teerã desde o início da guerra, transportava um quinto do consumo mundial de petróleo antes do conflito.
"A possibilidade de implementar esse plano em dois dias é mais uma demonstração da postura de boa-fé do Irã", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, a jornalistas. "Declaramos que, se as exigências do Irã forem atendidas, será possível restabelecer a segurança no estreito de Hormuz e retomar o processo de negociação."
Baqaei afirmou que mensagens continuam sendo trocadas com os EUA por meio de mediadores e que "tudo depende" de Washington aceitar as exigências iranianas. "Somente então poderemos discutir as etapas seguintes", acrescentou.
Os contatos para pôr fim à guerra de oito meses continuam, segundo Teerã, após dias de negociações iranianas com mediadores do Qatar terminarem com novas propostas, mas sem avanços decisivos. O chanceler Abbas Araghchi reforçou a oferta: "Se os EUA aceitarem nossas condições, o estreito de Hormuz será reaberto e as negociações serão retomadas".
O presidente Masoud Pezeshkian informou, segundo a Irna, que o líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, concedeu "poderes" aos representantes do regime nos esforços para pôr fim à guerra, sem especificar quais seriam.
As declarações ocorrem enquanto Donald Trump faz novas ameaças contra o país persa. Nos últimos comícios de campanha para as eleições de meio de mandato, o presidente americano adotou um tom beligerante. "A única razão pela qual ainda não terminei com o Irã é que quero ser gentil. Quero tentar salvar todas aquelas vidas, se puder. Mas, em algum momento, teremos que usar o martelo contra eles", disse a eleitores em Iowa.
Ele não descartou novos ataques contra alvos militares, como a montanha Kolang, suspeita de abrigar um complexo nuclear subterrâneo. Baqaei afirmou que qualquer agressão será respondida com "uma resposta poderosa, imediata e abrangente".
Teerã mantém o bloqueio de Hormuz desde fevereiro, o que provocou uma disparada nos preços da energia e criou um desafio eleitoral para Trump.
Em setembro, o Irã apresentou um plano de sete dias para reabrir o estreito, com exigências como o fim da guerra em todas as frentes, o desbloqueio dos ativos iranianos, o levantamento das sanções ao petróleo e o fim do bloqueio aos portos iranianos.
Em entrevista à Al Jazeera, divulgada no domingo (1º), Araghchi disse que Washington precisa aceitar uma nova rota, acordada entre Irã e Omã, para a passagem de embarcações, além de suspender as sanções e reduzir o número de tropas americanas na região. Desde agosto, a Casa Branca anuncia novas sanções, como parte do que classificou de "asfixia econômica" do Irã.
Autoridades de Paquistão, Qatar, Arábia Saudita e Turquia conversaram com Teerã nos últimos dias, e o vice-presidente americano, J. D. Vance, enviou uma carta ao país. O chefe de segurança iraniano, Mohsen Rezaei, falou por telefone com Vladimir Putin sobre a guerra, segundo a mídia estatal.
O chefe de segurança do Irã, Mohsen Rezaei, conversou com o presidente russo, Vladimir Putin, sobre a guerra no Oriente Médio, informou a mídia estatal iraniana, sem fornecer mais detalhes.
O governante de Omã, sultão Haitham bin Tariq, discutiu a guerra com o líder chinês, Xi Jinping, durante uma visita a Pequim. O principal diplomata da China, Wang Yi, afirmou que Pequim apoia Teerã na "defesa de sua própria soberania e segurança".
