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Petróleo dispara mais de 3% e ultrapassa US$ 117 pela primeira vez desde abril

Por Folhapress

Petróleo dispara mais de 3% e ultrapassa US$ 117 pela primeira vez desde abril
Foto: Reprodução / Magnific

O preço do petróleo disparou nesta sexta-feira (23) e ultrapassou a casa dos US$ 117 pela primeira vez desde abril, pressionando os mercados globais, que já vinham sofrendo com uma forte liquidação das ações das gigantes de tecnologia durante a noite de quinta-feira (22) em Wall Street.
 

O barril Brent, referência mundial, chegou a subir 3,76%, para US$ 117,42 (R$ 591,66), por volta das 12h30 (horário de Brasília). Com isso, a negociação atingiu o maior valor desde 30 de abril, quando a cotação alcançou US$ 116,41.
 

O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, era vendido a US$ 102,98 (R$ 518,89), com uma alta de 3,53% em relação ao dia anterior, por volta das 13h15.
 

O preço do commodity está em um movimento de alta desde a semana passada, quando houve uma intensificação dos ataques dos houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, a pontos estratégicos da Árabia Saudita como refinarias e aeroportos. Além disso, as conversas pela paz na região não evoluíram nos últimos dias.
 

Com isso, os analistas temem que o conflito se prolongue com uma possibilidade de novos ataques entre os países. "O petróleo continua em alta, já que a trajetória aponta para uma escalada militar no Oriente Médio no curto prazo. Declarações de que tudo ‘acabará em breve’ não fazem frente a disparos de mísseis em curso", afirmou Helima Croft, chefe de estratégia global de commodities da RBC Capital Markets.
 

"O preço do petróleo não para de subir... e estamos diante de uma correção inevitável no setor de tecnologia após sua enorme disparada; por isso, é realmente difícil entender por que o dólar não está mais alto", afirmou Kit Juckes, chefe global de estratégia cambial do Société Générale.
 

Nesta sexta, o presidente dos EUA, Donald Trump, voltou a falar que o término do conflito depende apenas dos norte-americanos. "[Os EUA poderiam] encerrar [a guerra] muito rapidamente, mas o Irã é uma nação em colapso, e estamos retirando todo o petróleo que queremos", comentou.
 

Os comentários foram de encontro ao que Mike Waltz, embaixador dos EUA na ONU, disse ao Financial Times, afirmando que os Estados Unidos ainda poderiam estar atolados em um impasse com o Irã daqui a um ano.
 

A mais recente alta dos preços do petróleo ocorre apesar do aumento do fluxo de petróleo bruto pelo estreito de Hormuz. Segundo a empresa de dados de navegação Kpler, os embarques dos produtores de petróleo do Golfo, excluindo o Irã, atingiram uma média de 24,6 milhões de barris por dia na semana encerrada em 18 de outubro, acima da média de 23,3 milhões registrada antes da guerra.
 

Os preços dos combustíveis também subiram na sexta-feira. A gasolina e o diesel para entrega no porto de Nova York avançaram cerca de 1,5%, para US$ 3,15 por galão e US$ 4,81 por galão, respectivamente.
 

A elevação dos custos de energia acrescentará um novo impulso às pressões inflacionárias a menos de duas semanas de eleições decisivas nos EUA. A taxa de inflação implícita de cinco anos dos EUA —uma medida das expectativas de inflação baseada no mercado— subiu 0,08 ponto percentual na sexta-feira, para 2,47%.
 

Os rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA também avançaram, revertendo parcialmente a forte valorização da sessão anterior, com o rendimento dos papéis de dez anos subindo 0,03 ponto percentual, para 4,99%. As ações de tecnologia, por sua vez, se estabilizaram após a derrocada de quinta-feira.
 

O Nasdaq 100, fortemente concentrado em empresas de tecnologia, subiu 0,4% após despencar 2,9% na quinta-feira, quando a projeção excepcionalmente elevada da Meta para gastos de capital intensificou as dúvidas sobre se o histórico boom de investimentos em IA —cada vez mais financiado por dívida— traria retorno.
 

O S&P 500, índice que reúne ações de grandes empresas, recuou 0,2%, após uma queda de 1,2% na quinta-feira.