Instagram amplia visualizações de políticos mesmo com freio do TSE, diz estudo
Por Eduardo Moura | Folhapress
Após o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) impor regras que restringem a recomendação de perfis de políticos durante as eleições, a expectativa era que posts de candidatos nas redes sociais tivessem queda na visualização.
Pois no Instagram esses perfis tiveram aumento de visualizações em posts políticos ao longo da campanha eleitoral de 2026. Enquanto isso, Facebook, TikTok, X (ex-Twitter) e YouTube observaram queda nas visualizações destes perfis.
Procurada pela reportagem, a Meta, dona da rede social, afirma que cumpre as regras eleitorais. Em nota, diz que não recomenda contas de candidatos durante a campanha. "Não recomendar conteúdos orgânicos não significa bloquear sua distribuição para não seguidores. Uma base de seguidores engajada leva conteúdos não recomendados para não seguidores se ela compartilha essas publicações através de outras superfícies", afirma um porta-voz da Meta, em nota.
Segundo a norma, as plataformas que possuam sistema de recomendação aos usuários devem excluir dos resultados os canais e perfis informados à Justiça Eleitoral pelos candidatos durante o período oficial de campanha.
Os dados são de um estudo do Instituto Democracia em Xeque, o DX, que identificou aplicação desigual, entre as plataformas digitais, da regra que suspende a recomendação —e sinais de não cumprimento da determinação da Justiça Eleitoral pelo Instagram.
O relatório analisou 2.076 perfis de políticos brasileiros, incluindo os seis principais presidenciáveis. O comportamento dessas contas foi comparado com um grupo de controle, isto é, perfis de pessoas que não se candidataram, o que inclui desde políticos que não concorreram até influenciadores.
As contas foram analisadas de 1º de fevereiro deste ano a 20 de outubro. A média de alcance de fevereiro a junho foi usada como período de referência para a comparação com o comportamento dos perfis no período de campanha eleitoral.
No Instagram, as visualizações dos perfis dos candidatos subiram 7,5% durante a campanha em relação às das contas de controle. As interações, por outro lado, tiveram queda de 11,6% no período.
As visualizações dos candidatos No TikTok caíram 95% em relação às das contas de controle, e as interações, 90,6%, durante a campanha.
No X, as visualizações dos candidatos caíram em 49,9%, e as interações, 38,1%. No YouTube, a queda foi de 44,5% nas visualizações e 52,5% nas interações.
Já no Facebook, as visualizações dos candidatos caíram 19%, e as interações caíram 40,5%.
O responsável pelo estudo, Marcelo Alves, diretor de metodologia do DX e professor de comunicação da PUC-Rio, aponta que o intuito da pesquisa é compreender como se deu, na prática, a interferência algorítmica da resolução do TSE.
"Se não pode haver recomendação algorítmica de conteúdo, deveria haver sistematicamente uma queda. O que este estudo mostra é que esse efeito de fato acontece em todas as plataformas, exceto no Instagram", diz.
Quando os perfis são separados por campo político, no Instagram, a mediana de visualizações caiu 11% entre candidatos de direita, subiu 2% entre os de centro e aumentou 14% entre os de esquerda.
Para Alves, esses números não contrariam a tese de que o Instagram tende a privilegiar conteúdos de políticos de direita. Segundo ele, o crescimento é efeito da mobilização das campanhas da esquerda.
Além disso, os perfis de direita mantêm ao longo de todo o período uma mediana de visualizações superior à dos de esquerda —o degrau diminui um pouco, mas ainda existe. Na internet, a direita tem um ecossistema de contas muito mais amplo e com mais seguidores, diz o pesquisador.
No Facebook, a mediana de visualizações por publicação diminuiu 71% entre candidatos de direita, 64% entre os de centro e 55% entre os de esquerda. No TikTok, os três campos apresentaram reduções abruptas e simultâneas, conforme o estudo.
Mensagens internas obtidas pela Folha de S.Paulo mostraram que funcionários da big tech admitiram restrições que prejudicaram as contas de Lula e recomendação algorítmica do perfil de Flávio, o que é vedado pelo TSE.
Em comunicado divulgado na última sexta-feira (16), a Meta afirmou que não está interferindo nas eleições brasileiras e disse que os episódios relatados em reportagens foram "incidentes técnicos".
