Flávio Bolsonaro repete manobra de Trump em debate ao fazer gestos e expressões atrás de Lula
Por Folhapress
O debate presidencial transmitido pela Bandeirantes no domingo (18) colocou o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) em confronto pela primeira vez desde o início da disputa eleitoral de 2026, e uma tática adotada pelo senador chamou a atenção de quem assistiu ao encontro: Flávio se colocou atrás do petista e ficou gesticulando durante as falas do adversário.
A movimentação remete aos debates das eleições de 2016 nos EUA, quando o então candidato Donald Trump fez uma manobra parecida contra Hillary Clinton.
No debate da Band, Flávio aproveitou a regra que permitia que os candidatos circulassem livremente pelo estúdio nos blocos de confronto direto. Enquanto Lula respondia, o senador se posicionou atrás do adversário, ao fundo do enquadramento das câmeras, e passou a fazer expressões faciais e gestos de discordância. Em alguns momentos, balançava o dedo indicador em sinal de negação.
O presidente se irritou com a movimentação e partiu para o ataque. "Ele não tem comportamento ético, não espero isso do bolsonarismo", disse Lula. Nos bastidores, a tática irritou o ministro Sidônio Palmeira (Comunicação Social), que reclamou no intervalo. Houve gritaria durante as considerações finais.
Após o intervalo, na abertura do terceiro bloco, os mediadores Eduardo Oinegue e Adriana Araújo advertiram que o deslocamento pelo estúdio não poderia interferir na fala do candidato que estivesse com a palavra.
O episódio americano ocorreu em 9 de outubro de 2016, no segundo debate daquela disputa eleitoral, em St. Louis, dois dias depois da divulgação de um vídeo em que Trump se gabava de apalpar mulheres.
No formato de assembleia, Trump, com 1,91 m, circulou pelo palco e se colocou atrás de Clinton, com cerca de 1,65 m, enquanto ela respondia às perguntas da plateia.
Nos EUA, a manobra de Trump ganhou contornos de intimidação. A campanha democrata acusou o republicano de "perseguir de forma ameaçadora" a rival no palco.
No livro "What Happened" (2017), Clinton escreveu que Trump a seguia de perto, encarando-a e fazendo caretas. "Ele estava literalmente respirando no meu cangote. Minha pele arrepiou", relatou.
A democrata disse ter resistido à vontade de gritar: "Afaste-se, seu nojento, saia de perto de mim! Sei que você adora intimidar mulheres, mas não pode me intimidar".
