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Notícia

Bolsa sobe com disparada do petróleo e cenário eleitoral no radar; dólar ronda a estabilidade

Por Folhapress

Bolsa sobe com disparada do petróleo e cenário eleitoral no radar; dólar ronda a estabilidade
Foto: Reprodução / Agência Brasil

A Bolsa sobe nesta quinta-feira (8), com o avanço do petróleo no exterior e em meio à expectativa pela divulgação de uma nova pesquisa do Datafolha sobre o 2º turno das eleições, prevista para depois do pregão.
 

Por volta das 11h, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário, avançava 0,28%, aos 204.999 pontos, impulsionado pelas ações do setor petrolífero.
 

No mesmo horário, o dólar rondava a estabilidade, em queda de 0,03%, a R$ 5,012. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis outras divisas fortes, subia 0,02%, próximo da estabilidade.
 

A alta do petróleo acompanha as tensões no Oriente Médio. Há temor de novos ataques dos EUA após reportagem da revista The Atlantic afirmar que o presidente Donald Trump estaria considerando uma ofensiva contra o Irã antes das eleições legislativas de meio de mandato, marcadas para novembro. Segundo a publicação, a Casa Branca teria pedido ao Pentágono que elaborasse opções para atacar instalações iranianas antes da votação.
 

A reportagem afirmou que a dimensão e os alvos dos ataques ainda estavam sendo discutidos, mas acrescentou que uma operação mais ampla poderia estar sendo planejada para depois da votação de 3 de novembro.
 

Além disso, os ataques a petroleiros que navegavam pelo estreito de Hormuz atingiram na semana passada o maior número registrado em uma única semana desde o início da guerra com o Irã, de acordo com dados do Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC), liderado pela Marinha dos Estados Unidos.
 

O número de embarcações que cruzaram o estreito de Hormuz caiu para o menor nível em mais de dois meses, em razão dos ataques na região.
 

Antes do início do conflito entre EUA e Israel e o Irã, a via marítima era responsável por cerca de 20% da circulação mundial de petróleo. A possibilidade de um novo agravamento da guerra aumenta os temores de interrupção do fluxo pelo estreito de Hormuz e de uma inflação global mais persistente.
 

Nesse cenário, o petróleo Brent subia 3,92%, a US$ 104,16. A alta impulsionava as ações da Petrobras, com os papéis preferenciais subindo 2,55%.
 

O conflito tem pressionado os ativos globais. Na véspera, a perspectiva de retomada das tensões já apareceu nos preços, com os rendimentos dos Treasuries, títulos da dívida americana, atingindo o maior nível desde março de 2002. Na máxima, o rendimento do Treasury de dez anos chegou a 5,3624%.
 

A elevação dos juros americanos pressiona os ativos de mercados emergentes, já que, em um ambiente de maior aversão ao risco, investidores tendem a buscar aplicações consideradas mais seguras, como o dólar e os títulos do governo dos Estados Unidos.
 

"Temos aqueles encadeamentos tradicionais: isso acaba fortalecendo o dólar, enfraquecendo o ouro e impactando alguns setores específicos. O setor imobiliário, por exemplo, acaba sofrendo, enquanto os bancos também têm apresentado uma performance mais fraca, diante da preocupação com a concessão de crédito em um ambiente de juros elevados", afirma William Castro Alves, estrategista-chefe da Avenue.
 

No mercado doméstico, investidores voltam suas atenções para o cenário eleitoral. Flávio Bolsonaro (PL) terminou o 1º turno na liderança, com 47,03% dos votos, ante 45,16% de Lula (PT). Os dois disputarão o segundo turno, marcado para o próximo dia 25.
 

Nunca houve uma virada do segundo colocado na disputa pela Presidência da República no segundo turno.
 

Por volta das 18h45, o instituto Datafolha divulgará uma nova pesquisa sobre a intenção de voto para o segundo turno da eleição, após o encerramento do pregão.
 

Parte dos analistas avalia que uma eventual alternância de poder, com Flávio no lugar de Lula, poderia resultar em uma condução fiscal mais sólida e reduzir a percepção de risco em relação aos ativos brasileiros.
 

A equipe responsável pelo programa econômico do candidato à Presidência Flávio Bolsonaro estuda um pacote de medidas fiscais para viabilizar um ajuste inicial da ordem de 2 % do PIB (Produto Interno Bruto), o equivalente a cerca de R$ 250 bilhões, valor considerado razoável para estancar a trajetória de crescimento da dívida pública bruta.
 

O núcleo do plano mira as maiores rubricas do Orçamento federal: a desvinculação dos reajustes da Previdência Social e do BPC (Benefício de Prestação Continuada) em relação aos ganhos reais do salário mínimo, além do fim dos pisos constitucionais que atrelam os gastos com saúde e educação ao comportamento das receitas federais.
 

A expectativa de maior controle fiscal está relacionada à forte valorização dos ativos domésticos no começo da semana. Na segunda-feira, a Bolsa superou o patamar inédito de 200 mil pontos e chegou a 209.605 pontos, um novo recorde durante o período de negociações. O dólar, por outro lado, recuou para abaixo da marca de R$ 5. Na terça-feira, a moeda atingiu o menor patamar desde maio.
 

Com uma trajetória da dívida mais controlada, o governo poderia pagar um prêmio menor para se financiar, o que tende a aliviar a curva de juros. Taxas mais baixas, por sua vez, reduzem o custo do crédito para empresas e podem melhorar as perspectivas para os lucros, favorecendo a Bolsa.
 

Entre os bancos, o JPMorgan estima alta de 10% a 11% para as ações brasileiras, dólar entre R$ 4,95 e R$ 5 e fechamento da curva de juros com uma vitória de Flávio. O BTG Pactual projeta valorização de 11% a 20% para a Bolsa.
 

O Morgan Stanley vê espaço para ganhos maiores caso o resultado seja confirmado e haja avanço na agenda fiscal. O banco projeta dólar a R$ 4,50 e Ibovespa a 250 mil pontos no primeiro trimestre de 2027.
 

O UBS também prevê valorização dos ativos e projeta dólar entre R$ 4,50 e R$ 4,60 e alta superior a 30% para a Bolsa nos próximos meses.