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'Índice do medo' da Bolsa vai a máxima histórica com proximidade das eleições

Por Matheus dos Santos | Folhapress

'Índice do medo' da Bolsa vai a máxima histórica com proximidade das eleições
Foto: Reprodução / Magnific

O VIX Brasil, índice que mede a volatilidade esperada do Ibovespa, principal indicador da Bolsa brasileira, fechou em 31,84 pontos na segunda-feira (28). Foi a primeira vez que o indicador superou a marca de 31 pontos desde sua criação, em 19 de março de 2024.
 

Chamado de S&P/B3 Ibovespa VIX, o índice utiliza tecnologia semelhante à do VIX, que mede a volatilidade esperada do S&P 500, principal índice acionário dos Estados Unidos.
 

Os pontos do indicador quantificam a volatilidade esperada pelo mercado para os 30 dias seguintes, com base na negociação de contratos de opções do Ibovespa. Na prática, quanto maior a pontuação, maior a volatilidade esperada para o período.
 

O VIX funciona como um termômetro das expectativas dos investidores. Níveis mais elevados indicam maior percepção de risco e possibilidade de movimentos mais bruscos nos preços dos ativos.
 

A alta do índice ocorre em meio à proximidade das eleições presidenciais, com uma disputa acirrada entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o ex-senador Flávio Bolsonaro (PL), segundo pesquisas recentes.
 

A eleição, porém, não é o único fator de pressão sobre os ativos domésticos. O período também é marcado pela guerra no Irã e pela alta dos preços do petróleo, que têm aumentado os temores inflacionários e de juros altos por mais tempo.
 

O Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, acumula alta de mais de 6% em setembro. O movimento ocorre mesmo com o aumento da volatilidade esperada, em um cenário de entrada de recursos estrangeiros em ativos domésticos e valorização de empresas ligadas a commodities.
 

No campo fiscal, parte do mercado avalia que uma eventual alternância de poder poderia melhorar a percepção sobre a trajetória das contas públicas. Uma perspectiva de maior controle sobre a dívida tende a reduzir o prêmio de risco exigido pelos investidores e, consequentemente, aliviar a pressão sobre os juros.
 

Taxas mais baixas, por sua vez, podem favorecer a Bolsa ao reduzir o custo de financiamento das empresas e aumentar a atratividade das ações em relação à renda fixa.
 

Analistas, contudo, ponderam que, independentemente do resultado da eleição, investidores devem exigir um plano considerado crível para as contas públicas.
 

"É bem verdade que o mercado hoje embute uma chance maior de um eventual governo de oposição fazer esse movimento de ajuste. Por isso que a gente tem visto também uma certa correlação. Toda vez que o Flávio, que é o principal oponente, começa a ganhar mais tração nas pesquisas, o mercado reage positivamente", afirma João Ferreira, sócio da One Investimentos.
 

Bruno Shahini, especialista em investimentos da Nomad, tem uma visão similar. "Não precisa resolver tudo de uma vez, mas acho que vai haver uma cobrança. E, se frustrar muitas expectativas, podemos ter um maior nível de volatilidade", diz.