Carne bovina brasileira não entra na Europa em menos de dois anos, estima autoridade da UE
Por Marcos Hermanson | Folhapress
O chefe de auditorias da autoridade sanitária europeia, Eric Thévenard, estimou nesta segunda-feira (28) que o Brasil não voltará a vender carne bovina para a União Europeia em menos de dois anos.
"O tempo entre nascimento e abate é de cerca de dois anos, então vocês podem calcular: nada antes de dois anos, em teoria", disse Thévenard a membos da Comissão de Agricultura do Parlamento Europeu, o órgão legislativo da União Europeia. "De agora até daqui a dois anos, não deve vir carne bovina do Brasil."
Os embarques de carne bovina e de frango para a União Europeia estão suspensos desde o início do mês porque, segundo a autoridade sanitária europeia, o Brasil não cumpre as regras do bloco contra a aplicação de antimicrobianos restritos a humanos ou para crescimento do rebanho.
Como mostrou a Folha de S.Paulo, os europeus já deram sinal verde para a retomada dos embarques de frango, que deve ocorrer após reunião no fim de outubro, mas o caso da carne bovina é mais delicado. Isso porque o bloco exige que o animal viva sob os novos protocolos do nascimento ao abate, que raramente ocorre antes de 18 meses.
Em 2025, o Brasil exportou US$ 1,049 bilhão (aproximadamente R$ 5,7 bilhões) em carne bovina para a União Europeia.
Para retomar os embarques de carne bovina, o Ministério da Agricultura apresentou aos europeus uma série de garantias de enquadramento às normas sobre aplicação de antimicrobianos.
Entre elas, um protocolo privado elaborado pela Confederação Nacional de Agricultura e pela Abiec, e já aprovado pelo ministério, que prevê auditorias das fazendas e frigoríficos habilitadas a exportar para a União Europeia.
O Mapa também editou novas normas definindo os medicamentos de uso vedado e estabelecendo protocolos de rastreabilidade, alerta e bloqueio de lotes eventualmente contaminados.
Agora o governo brasileiro aguarda uma auditoria presencial nos moldes da visita dos europeus à cadeia da carne de frango, que se encerrou no último dia 4 de setembro e rendeu parecer favorável ao Brasil. Inspetores visitaram granjas, abatedouros e o sistema veterinário oficial.
