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Marca Bahia Notícias

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Clubes de futebol ameaçam boicote a reunião sobre bets com governo Lula e encontro é cancelado

Por João Gabriel | Folhapress

Clubes de futebol ameaçam boicote a reunião sobre bets com governo Lula e encontro é cancelado
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Os clubes de futebol se articularam para esvaziar a reunião com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para tratar da proibição das bets, e o Executivo decidiu cancelar o encontro.
 

A agenda estava prevista para acontecer nesta terça-feira (29), com possibilidade de acontecer no Palácio do Planalto, e os dirigentes de todos os times das séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro foram convidados.
 

Segundo cinco pessoas, dos dois lados do balcão, afirmaram à Folha sob reserva, houve um movimento dos clubes para esvaziar o encontro, que então acabou enfim adiado oficialmente.
 

O governo Lula anunciou oficialmente o veto às apostas de quota fixa --o que inclui as apostas esportivas e os jogos online, como cassinos e o tigrinho --na última sexta-feira (25).
 

A decisão foi liderada por uma ala da campanha eleitoral petista que busca impulsionar o candidato às vésperas do primeiro turno, marcado para o próximo domingo (4), e na iminência de um segundo que deve ser apertado contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
 

Estudos apontam as bets como um dos motivos para o alto endividamento das famílias brasileiras, fator por sua vez que tem piorado a avaliação do terceiro governo Lula. Também focando as dívidas, o governo lançou uma nova fase do Desenrola, programa de renegociação.
 

O veto foi criticado por entidades representantes do setor de apostas e por parte dos clubes de futebol, que têm nas bets parte importante de suas respectivas fontes de renda, principalmente por meio de patrocínios.
 

Na própria sexta, o governo anunciou que faria uma reunião com os clubes de futebol. A ideia de parte do Executivo é oferecer formas de renegociação de dívidas -que é outro problema crônico das equipes futebolísticas.
 

Um convite foi feito a todos os clubes das quatro divisões nacionais e ao presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol), Samir Xaud.
 

Segundo as pessoas ouvidas pela reportagem, sob anonimato, o movimento para esvaziar o encontro com o governo foi capitaneado pelos dirigentes de Palmeiras e Flamengo -respectivamente, Leila Pereira e Luiz Eduardo Baptista, conhecido como BAP.
 

De acordo com relatos, os presidentes das equipes foram pressionados pelas empresas de bets, ao mesmo tempo que não queriam aparecer em fotos com o governo às vésperas do primeiro turno das eleições.
 

Também se sentiram desrespeitados pela forma como a campanha petista tratou o assunto, sem conversar com as equipes antes de tomar a decisão de vetar as bets.
 

Ao mesmo tempo, há um entendimento majoritário entre as equipes que a troca do patrocínio das bets pela renegociação das dívidas não vale a pena, uma vez que o primeiro rende dinheiro em caixa hoje, enquanto o segundo gera um empréstimo e a possibilidade de uma saúde financeira melhor no futuro.
 

Esses ingredientes criaram o ambiente para um possível boicote ao encontro, que então acabou adiado pelo próprio governo.
 

Palmeiras e Flamengo, que têm sido os mais ativos dentre os clubes nesta mobilização, são as equipes do primeiro escalão do futebol brasileiro que menos sofrem com dívidas.
 

O governo enviou nesta segunda um comunicado oficial para "informar que a reunião com os clubes participantes das Séries A, B, C e D do Campeonato Brasileiro e as Federações Estaduais de Futebol, prevista para 29 de setembro de 2026, às 15h, será remarcada".
 

"A alteração se faz necessária em razão da proximidade da data inicialmente proposta e dos horários dos voos disponíveis para o deslocamento dos participantes, a fim de favorecer uma ampla participação no encontro", completa o comunicado. O novo encontro não tem data marcada.
 

Para o lugar da reunião com clubes, que agora não tem data para acontecer, foi previsto um encontro de um grupo de trabalho sobre o assunto.
 

Um integrante do governo e um das bets, ambos ouvidos pela reportagem sob anonimato, se surpreenderam ao ouvir a informação: não sabiam sequer da existência deste grupo.
 

Dentro do governo, pelo menos por enquanto, não há uma proposta concreta de como funcionaria este programa de renegociação de dívidas do futebol. Parte do Executivo também entende que a medida não é urgente.
 

As apostas foram liberadas no governo de Michel Temer (MDB), mas acabaram nunca regulamentadas pela gestão de Jair Bolsonaro (PL), o que fez com que a atividade explodisse no Brasil em meio a um vácuo legal, que contribuiu para a proliferação de empresas irregulares e clandestinas.
 

O governo Lula, sob expectativa de ampliar a arrecadação, decidiu regulamentar o setor e, junto com o Congresso, acrescentou ao escopo da área os jogos online, como cassinos e o tigrinho.