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Petróleo dispara mais de 4% e atinge maior valor em duas semanas após discursos com ameaças na ONU

Por Fernando Narazaki | Folhapress

Petróleo dispara mais de 4% e atinge maior valor em duas semanas após discursos com ameaças na ONU
Foto: Reprodução / Magnific

O preço do petróleo disparou mais de 4% nesta quinta-feira após a troca de ameaças entre EUA e Irã em seus discursos na Assembleia Geral da ONU (Organização das Nações Unidas), que foi visto pelo mercado como um afastamento maior de um acordo de paz, que já está estagnado há mais de dois meses.
 

A situação mantém a perspectiva do bloqueio no estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás antes da guerra, e também de novos ataques entre os países, que já se estendeu para outras nações com a entrada dos houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, e da Arábia Saudita neste mês.
 

A situação levou a cotação do barril Brent, referência mundial, a atingir US$ 107,94, alta de 4,61%, por volta das 12h47 (horário de Brasília). A disparada levou o petróleo de novo ao mesmo patamar da semana passada, quando o contrato de novembro alcançou US$ 108,59 há oito dias.
 

O petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, estava em US$ 96,39, valorização de 4,63%.
 

A disparada foi uma consequência da incerteza sobre o término do conflito, que ficou agravada com os discursos de norte-americanos e iranianos na ONU.
 

O presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçou aniquilar o Irã em seu discurso na segunda-feira (22). No dia seguinte, o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou que Teerã não abrirá mão de seu programa nuclear, acusou Estados Unidos e Israel de terrorismo e levou fotografias de crianças iranianas mortas na guerra. A delegação dos EUA se retirou da plenária durante o discurso.
 

"Para os investidores, a percepção era de que os dois lados ainda estavam muito distantes", afirmou Henry Allen, estrategista macroeconômico do Deutsche Bank. "Ficou claro que os investidores ainda esperavam um período prolongado de preços mais altos do petróleo", avaliou.
 

Nesta quinta-feira (24), o conselheiro Yahya Rahim Safav, próximo ao líder supremo Mojtaba Khamenei, afirmou que o Irã deve estender o conflito até o Oceano Índico caso os EUA voltem a atacar o país.
 

"Como o conflito se propagou do golfo Pérsico e do estreito de Hormuz para o Mar Vermelho (com os houthis), é possível que, em resposta a uma eventual guerra, esta frente se estenda ainda mais, até o Oceano Índico, ou além", declarou Safavi em um vídeo divulgado pela agência de notícias Fars.
 

Os houthis do Iêmen, que combatem as forças governamentais apoiadas pela Arábia Saudita, tomaram a costa iemenita no Mar Vermelho, o que permitiu controlar o estreito de Bab el-Mandeb, que liga a Ásia com a Europa pelo Canal de Suez.
 

O Irã apoia militarmente os houthis, mas nega estar envolvido nesta nova frente de combate. Teerã já havia ameaçado ampliar a guerra caso Washington retome os ataques, mas esta é a primeira vez que um conselheiro do líder supremo menciona o Oceano Índico, onde está localizada a base militar anglo-americana de Diego Garcia. A unidade fica a quase 4.000 quilômetros em linha reta das costas iranianas.
 

O Irã estabeleceu sete condições para um acordo de paz com os norte-americanos, entre elas a suspensão das sanções econômicas e a liberação de seus ativos congelados no exterior.