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Dólar sobe e Bolsa cai com repercussão da ata do Copom e de pesquisa eleitoral

Por Julia Galvão | Folhapress

Dólar sobe e Bolsa cai com repercussão da ata do Copom e de pesquisa eleitoral
Foto: Reprodução / Magnific

O dólar está em leve alta nesta terça-feira (22), com investidores repercutindo a ata do Copom (Comitê de Política Monetária), que apontou perda de força da atividade econômica em meio aos juros altos e à queda da inflação. Às 12h38, a moeda norte-americana registrava alta de 0,11%, cotada a R$ 5,112.
 

O Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores brasileira, está em queda. No mesmo horário, registrava recuo de 0,29%, aos 185.855 pontos.
 

A ata do Copom manteve o tom cauteloso do comunicado divulgado na última quarta-feira (16), quando o colegiado decidiu, por unanimidade, reduzir pela quinta vez seguida a taxa básica de juros, a Selic, de 14% para 13,75% ao ano.
 

O mercado acompanha ainda o resultado da nova pesquisa Quaest, divulgada após o fechamento do mercado na véspera (21). No levantamento, o presidente Lula (PT) tem 37% das intenções de voto no primeiro turno, contra 33% do senador Flávio Bolsonaro (PL).
 

Na pesquisa da semana passada, o petista aparecia com 36%, enquanto o filho de Jair Bolsonaro tinha 31%.
 

Em um cenário de segundo turno, Flávio Bolsonaro tem 42% e Lula, 41%, configurando empate técnico. Na rodada anterior, o candidato do PL também tinha 42%, enquanto o atual presidente registrava 40%.
 

Yihao Lin, economista da Genial Investimentos, afirma que a ata do Copom desta terça veio em linha com o comunicado da semana anterior, sinalizando um comitê confiante no processo de desinflação da economia, mesmo diante de um ambiente externo mais incerto e da manutenção das expectativas de inflação desancoradas, ou seja, acima da meta perseguida pelo Banco Central.
 

"Apesar do nosso cenário-base ser de manutenção da taxa de juros no patamar atual de 13,75% até o final do ano, entendemos que a ata de hoje aponta para uma maior inclinação do Copom seguir afrouxando a Selic nas próximas reuniões", diz o economista.
 

Ele acrescenta que a continuidade do ciclo de cortes dependerá do resultado das eleições e de seu impacto sobre o câmbio.
 

Caio Megale, economista-chefe da XP, afirma que o Copom reiterou que a atividade econômica parte de um patamar ainda forte e que a inflação segue acima da meta. Ainda assim, segundo ele, os indicadores caminham de forma clara na direção desejada pelo comitê.
 

"Por isso, entendemos que a continuidade do ciclo de ajustes na taxa de juros permanece sendo o cenário-base da autoridade monetária", diz o especialista.
 

Ele afirma ainda que o ambiente externo continua sendo uma fonte de risco. A ata mencionou as "tensões geopolíticas e seus efeitos sobre os preços de commodities e insumos", fatores que, de acordo com Megale, alteraram as expectativas para a condução da política monetária nas economias desenvolvidas.
 

Nesse cenário, o mercado também acompanha as cotações do petróleo, que influenciam as expectativas de inflação e juros no mundo. Na última segunda-feira, o barril voltou a ser negociado abaixo de US$ 100.
 

Marcel Lima, sócio da Valor Investimentos, afirma que o recuo para esse patamar reflete a expectativa de um acordo entre Estados Unidos e Irã e de uma normalização do tráfego no estreito de Hormuz, via marítima por onde escoava cerca de 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo.
 

A queda do petróleo reduz a pressão sobre os preços dos combustíveis e, consequentemente, os temores de alta da inflação e dos juros no mundo. Esse movimento pode favorecer ativos de mercados emergentes, como o Brasil.
 

Às 12h13, o barril do petróleo Brent era negociado a US$ 99, com queda de 0,45%.
 

Nos últimos dias, o presidente dos EUA, Donald Trump, sinalizou estar aberto a um encontro com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian. A autoridade de Teerã deve estar em Nova York para a Assembleia Geral das Nações Unidas.
 

Durante a abertura da Assembleia, Trump voltou a falar sobre um possível acordo: "Eu acredito que vamos fazer um acordo depois das eleições, porque não faz sentido para eles [Irã] não fazerem. Eles estão esperando para ver como vou me sair nas eleições de meio de mandato. O que eles não percebem é que eu não estou concorrendo. Já concorri e vencemos por uma vitória esmagadora. Vou estar aqui por mais dois anos e meio".
 

Ele acrescentou que as eleições não têm peso em sua avaliação sobre o Irã. "Não dou absolutamente nenhum crédito e não vou dar crédito às eleições quando se trata do Irã. Isso nem sequer passa pela minha cabeça. A única coisa que me passa pela cabeça é que o Irã nunca terá uma arma nuclear."
 

O Irã também sinalizou a mediadores sua disposição para retomar as negociações, segundo a Al Jazeera. O país indicou que poderia reabrir o estreito de Hormuz nos próximos sete dias, caso os EUA aliviem a pressão militar.
 

A expectativa por negociações, contudo, contrasta com sinais de escalada do conflito. No sábado (19), os arredores do principal aeroporto de Riad, capital da Arábia Saudita, foram atacados, e uma densa coluna de fumaça foi vista. Os houthis, grupo do Iêmen apoiado pelo Irã, reivindicaram a autoria da ofensiva.
 

Além disso, os EUA anunciaram nesta segunda-feira que todas as companhias aéreas iranianas terão suas operações interrompidas a partir desta quarta-feira (23).
 

Em Wall Street, as Bolsas operam sem direção única. Às 12h25, o Dow Jones caía 0,45%, pressionado principalmente pelas ações da Cisco Systems, empresa de tecnologia. O S&P 500 estava estável, enquanto o Nasdaq subia 0,40%.
 

Na véspera, os índices tiveram desempenho positivo, em meio à queda do petróleo.
 

Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue, afirma que as negociações entre Irã e EUA ganham ainda mais relevância à medida que se aproximam as eleições americanas, daqui a aproximadamente seis semanas, e Trump busca recuperar popularidade.
 

Segundo o especialista, o preço do diesel nas bombas atingiu patamares históricos, o que pesa sobre a percepção do eleitorado e, consequentemente, sobre a popularidade do Partido Republicano.
 

Às 12h30, os rendimentos dos Treasuries, títulos do Tesouro americano, de dez anos operavam em alta de 0,25%, após recuarem 0,90% na véspera, em movimento também influenciado pela melhora nas cotações do petróleo.
 

No Brasil, os juros futuros operam em alta. Às 12h31, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,575%, com alta de 0,04 ponto percentual. O contrato para janeiro de 2035 estava em 14,060%, alta de 0,23%.
 

Nesta terça-feira, o mercado também acompanha os demais encontros e discursos na Assembleia Geral da ONU. Em seu pronunciamento, o presidente Lula afirmou que "o Brasil não cabe no quintal de ninguém", em uma fala marcada por referências à interferência externa na América Latina.
 

No ambiente internacional, Trump e Xi Jinping se reúnem em Washington. O líder chinês chega aos Estados Unidos na quarta-feira (23), e o encontro com o presidente americano está previsto para quinta-feira (24). As autoridades devem discutir temas como inteligência artificial e comércio entre os dois países.
 

No ambiente doméstico, na sexta-feira (25) será divulgado o IPCA-15 de setembro, considerado uma prévia do IPCA, principal indicador de inflação do país.