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Marca Bahia Notícias

Notícia

Milton Leite é alvo de operação contra infiltração do PCC no transporte público

Por Folhapress

Milton Leite é alvo de operação contra infiltração do PCC no transporte público
Foto: Afonso Braga /Secom Câmara Municipal de São Paulo

Uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil de São Paulo realizada nesta quinta-feira (17) mira Milton Leite, ex-presidente da Câmara Municipal da capital paulista e vereador por sete mandatos, de 1997 a 2024. Ele é uma das 13 pessoas que são alvos de mandado de prisão temporária de 30 dias, autorizado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Atualmente, o político filiado ao União Brasil não tem mandato.
 

A Operação Vectura Corrupta cumpre 16 mandados de prisão e 18 de busca e apreensão, expedidos pela 8ª Câmara de Direito Criminal do Tribunal de Justiça de São Paulo e pela Vara Estadual de Garantias de Organização Criminosa e Lavagem de Bens e Direitos.
 

O objetivo é o combate a núcleos do PCC (Primeiro Comando da Capital). Segundo a investigação, há a suspeita de que os investigados fazem parte da organização criminosa, exercendo funções de liderança.
 

A decisão judicial que autorizou a operação, assinada pelo desembargador Sérgio Riba, aponta que Milton Leite seria "o dono de fato" da empresa Transwolff, acusada de lavar dinheiro para o PCC (Primeiro Comando da Capital). A Transwolff nega a acusação.
 

O nome do político havia aparecido em um inquérito da Corregedoria da Polícia Militar que apontava supostas conexões com PMs presos por trabalharem na escolta particular de dirigentes da empresa.
 

Na ocasião, em fevereiro, Leite foi chamado de "chefe" pelo sargento da PM Nereu Aparecido Alves em uma mensagem enviada a Cícero de Oliveira, diretor da Transwolff.
 

A investigação é um desdobramento de outra operação, chamada Decúrio, realizada em agosto de 2024, quando foi identificada uma rede de informações mantida pelo PCC para manter a comunicação entre seus integrantes, inclusive os que estão presos.
 

Na ocasião foram identificadas supostas lideranças do PCC vinculadas às chamadas "Sintonia Restrita" e "Sintonia dos Gravatas", assim como um projeto de infiltração de agentes do crime organizado nas eleições municipais de 2024, com o lançamento de candidatos aos cargos em disputa.
 

Segundo os investigadores, foi identificada a contaminação, pelo crime organizado, de empresas de transporte coletivo de passageiros na capital e no interior, com a participação de parte dos investigados.
 

"Foram identificadas pelo menos 12 empresas de transporte coletivo de passageiros em operação na cidade de São Paulo que seriam controladas direta ou indiretamente pelo PCC, parte das quais já foram objeto de investigações anteriores por parte da Polícia Civil do Estado de São Paulo e do Ministério Público, inclusive com denúncias já ofertadas", diz o Ministério Público.
 

Outra ponta da apuração é o suposto envolvimento do PCC no financiamento de campanhas nas eleições para prefeitos e vereadores em 2024, assim como na atual disputa. A ação é realizada em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.
 

Leite é considerado figura influente da política paulistana, com eixo de atuação que vem da zona sul da cidade.
 

Ele foi o presidente mais longevo da Câmara desde a redemocratização, comandando o Legislativo da cidade em 2017 e 2018 e de 2021 a 2024 —quando decidiu não disputar um novo mandato de vereador.
 

O inquérito também apontava supostas relações financeiras e políticas entre o ex-vereador e a empresa de ônibus municipal, que teve o contrato cancelado após a Operação Fim da Linha, do Ministério Público, como mostrou a Folha de S.Paulo.
 

Em fevereiro, Leite afirmou que não conhecia o sargento e que ele nunca trabalhou em sua escolta.
 

Segundo depoimentos de policiais, a escolta pessoal de dirigentes da Transwolff era organizada pelo capitão Alexandre Paulino Vieira, que atuava na Assessoria Policial Militar da Câmara desde outubro de 2014.
 

Em interrogatório no dia 4 de fevereiro, um dos policiais presos em operação da Corregedoria —o sargento Alexandre Aleixo Romano Cezario— disse que acreditava que o capitão Alexandre havia sido indicado para coordenar a segurança de dirigentes da Transwolff por Milton Leite.
 

Relatório da Corregedoria também cita "estreitas ligações" do vereador com o capitão Alexandre, pelo período em que ele trabalhou no Legislativo municipal. Questionado na data, Leite afirmou que nunca indicou PMs para prestação do serviço na empresa e disse que o manteve no cargo após ele ter permanecido ali por outras duas gestões da Câmara Municipal.
 

Em nota em fevereiro, a Câmara Municipal afirmou que o capitão Alexandre "atuou ininterruptamente nas gestões de cinco presidentes" e que "não há nenhum registro que o desabone".
 

TRAJETÓRIA
Nas redes sociais, os últimos meses de Milton Leite têm sido de campanha pelos filhos Alexandre Leite, que concorre a deputado estadual, e Milton Leite Filho, a federal. Alexandre foi secretário de Relações Institucionais da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), cargo que deixou para disputar o pleito de outubro.
 

Apesar de não estar mais no cotidiano da Câmara, Milton Leite mantém atuação política. Em novembro de 2025, por exemplo, a Folha de S.Paulo noticiou que ele havia convocado parlamentares da bancada para reforçar o desejo de que o afilhado Silvão Leite (União) assumisse a presidência da Casa. Em dezembro, o vereador Ricardo Teixeira (União), mais próximo do prefeito, foi reeleito para o cargo.
 

Em junho de 2025, a Alesp (Assembleia Legislativa de SP) concedeu a Milton Leite o Colar de Honra ao Mérito Legislativo, considerada a maior honraria da Casa.
 

O colar foi entregue "em reconhecimento às contribuições de Leite em pautas como preservação de mananciais, desenvolvimento urbano e habitação, com foco em regiões da periferia paulistana, sobretudo na zona sul", como descreveu a publicação oficial em site da assembleia.
 

Na ocasião, o político citou a origem humilde como vendedor de pão no bairro do M'Boi Mirim. Quando chegou à Câmara Municipal, seguiu como vereador por mandatos seguidos, tendo sido presidente por seis anos.
 

"A carreira política deve ser pavimentada por uma coisa muito importante: a palavra. Procure não dar a palavra, mas se der, honre e faça valer a sua palavra", disse na oportunidade, conforme o registro da Alesp.