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Marca Bahia Notícias

Notícia

Bolsa e dólar recuam à espera de decisões de juros do Copom e do Fed, com petróleo no radar

Por Folhapress

Bolsa e dólar recuam à espera de decisões de juros do Copom e do Fed, com petróleo no radar

A Bolsa recua nesta quarta-feira (16), com investidores atentos às decisões de juros do Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central e do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA).
 

No Brasil, a expectativa é de redução da taxa básica de juros, a Selic. Nos Estados Unidos, o mercado espera uma elevação dos juros.
 

A queda do petróleo no exterior também pesa sobre os negócios. Os preços da commodity recuam durante a sessão e pressionam o mercado acionário, revertendo os ganhos registrados na véspera.
 

Por volta das 12h25, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, recuava 0,33%, a 185.871 pontos. No mesmo horário, o dólar também cai, a 0,24%, a R$ 5,141.
 

As atenções dos investidores estão voltadas para as decisões de juros dos bancos centrais do Brasil e dos EUA. O Fed comunica sua decisão de política monetária às 15h, e a previsão do mercado é de alta da faixa de 3,5% a 3,75% para 3,75% a 4%.
 

A expectativa de alta, que antes estava concentrada na reunião de outubro, passou a incluir a decisão desta tarde em meio à inflação persistente. Segundo a ferramenta FedWatch, 93% das apostas indicavam uma elevação de 0,25 ponto percentual.
 

O PCE, indicador de inflação preferido do Fed, subiu 3,7% nos 12 meses até julho. O CPI (índice de preços ao consumidor), último indicador divulgado antes da reunião, também avançou: a inflação acumulada em 12 meses até agosto foi de 3,4%, mesma taxa registrada em julho.
 

A inflação continua acima da meta do Fed e apresenta pouca melhora. No fim de agosto, Kevin Warsh, presidente do Fed, afirmou no simpósio de Jackson Hole que a instituição teria trabalho a fazer caso a alta de preços continuasse. Para Warsh, "o progresso nos últimos dois anos tem sido modesto" no combate à inflação.
 

No comunicado da última reunião do Fed, em julho, o banco central afirmou que a atividade econômica continuava sólida, mas que a inflação permanecia acima da meta, em parte devido aos choques de oferta provocados pelo conflito no Oriente Médio. Nas últimas semanas, a guerra escalou, com novos ataques entre EUA e Irã e ofensivas contra embarcações e instalações de petróleo. O estreito de Hormuz também teve os fluxos interrompidos, e as cotações do petróleo voltaram a superar US$ 100.
 

A decisão ocorre ainda sob pressão de Donald Trump pela redução dos juros. Nesta semana, o presidente americano afirmou que "nenhum país deveria ter taxas de juros inferiores às dos Estados Unidos". Kevin Warsh, indicado por Trump para presidir o Fed em substituição a Jerome Powell, assumiu o cargo em meio às críticas do republicano ao banco central.
 

Caso se confirme, a alta será a primeira promovida pelo Fed desde julho de 2023 e a primeira sob a gestão de Warsh.
 

"Se a alta de 0,25 ponto percentual for confirmada, o foco dos investidores passará para o número de votos dissidentes, que servirá como termômetro da coesão do comitê em relação ao ciclo monetário [...] Em linhas gerais, uma elevação dos juros americanos tende a atrair capital para os Estados Unidos e fortalecer o dólar globalmente", diz Leonel Oliveira Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX.
 

O dia também é marcado pela decisão do Copom, que será divulgada a partir das 18h, após o fechamento do mercado. A mediana das estimativas de analistas consultados pela Bloomberg é de redução da Selic de 14% para 13,75% ao ano.
 

Por aqui, analistas apontam a melhora dos indicadores de inflação como um dos fatores que justificam a redução da taxa básica de juros. O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) desacelerou para 4,22% no acumulado de 12 meses até agosto.
 

Caso se confirmem as expectativas, as decisões tendem a reduzir a atratividade da estratégia de carry trade. Nela, investidores tomam recursos em economias com taxas de juros mais baixas, como os EUA, e aplicam em países com juros mais altos, como o Brasil.
 

"A redução desse diferencial, com tudo mais constante, acaba sendo um vento contrário para o real, porque torna o carry trade menos atrativo, reduzindo o incentivo para quem realiza essa operação", afirma Fernando Saad Benati, estrategista global da Avenue.
 

A tensão na guerra do Irã segue no radar dos investidores. Nesta quarta-feira, o petróleo Brent, referência mundial da commodity, recua mais de 1%. Ao contrário da véspera, quando o movimento favoreceu as ações da Petrobras, a baixa hoje pesa sobre os ativos locais.
 

O recuo ocorre após a Arábia Saudita afirmar que destruiu um drone lançado pelos houthis em direção à cidade sagrada de Meca.
 

Desde a semana passada, o grupo do Iêmen passou a atacar cidades sauditas, atingindo oleodutos e refinarias e interrompendo o tráfego pelo estreito de Bab el-Mandeb.
 

A política brasileira influencia os negócios, em meio à crise envolvendo o STF (Supremo Tribunal Federal). Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, indicaram a atuação do ministro Alexandre de Moraes em favor do ex-banqueiro.
 

A divulgação do conteúdo levou a novos desdobramentos no tribunal, incluindo o afastamento de Moraes da relatoria do inquérito das fake news e de André Mendonça, relator dos casos do Banco Master e do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), do caso que apura a ligação entre o ministro e Vorcaro.
 

Na terça-feira (15), começou a sessão sobre a atuação de Moraes e sua relação com Vorcaro. O julgamento, contudo, foi interrompido após pedido de vista do ministro Flávio Dino.
 

A interpretação predominante no mercado é de que o desgaste do STF pode favorecer mais a campanha de Flávio Bolsonaro do que a de Lula, uma vez que o senador é historicamente crítico ao Supremo e usa esse discurso para defender o impeachment de ministros da corte.