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Marca Bahia Notícias

Notícia

Lula 3 acumula menor inflação às vésperas das eleições no Plano Real

Por Leonardo Vieceli | Folhapress

Lula 3 acumula menor inflação às vésperas das eleições no Plano Real
Foto: Ricardo Stuckert

O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) acumula inflação de 17,9% ao longo do terceiro governo Lula (PT), no período de janeiro de 2023 a agosto de 2026.
 

É a menor alta em um mandato presidencial até as vésperas das eleições desde o início do Plano Real –a moeda entrou em circulação em julho de 1994. A comparação considera o acumulado do IPCA até agosto do quarto ano de cada governo.
 

O primeiro turno das eleições presidenciais de 2026 está marcado para 4 de outubro, mas o IPCA de setembro só será conhecido depois do pleito, em 9 de outubro. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) publicou os dados de agosto deste ano nesta sexta-feira (11).
 

O economista-chefe da consultoria MB Associados, Sergio Vale, diz que a inflação de Lula 3 não sofreu choques tão intensos do câmbio e do clima como em outros mandatos presidenciais. Isso, segundo ele, ajudou o IPCA a subir menos.
 

Vale acrescenta que a política de juros altos do BC (Banco Central) também freou o índice. Lula chegou a criticar a atuação do BC durante a gestão de Roberto Campos Neto —os juros elevados buscam controlar a inflação, mas dificultam o crescimento econômico.
 

Na visão de Vale, um IPCA de quase 18% em menos de quatro anos pode ser considerada alto, apesar do patamar menor em relação a outros mandatos.
 

"A inflação poderia ser mais baixa do que isso. Acaba não sendo mais baixa porque tem um impulso fiscal que a gente vê acontecer nesse governo com bastante intensidade."
 

Se de um lado a inflação ficou em um patamar menor e o mercado de trabalho bateu recordes, de outro o endividamento das famílias virou dor de cabeça para a gestão petista antes das eleições.
 

O percentual de famílias brasileiras com dívidas a vencer manteve-se estável no patamar recorde de 82% em agosto, afirmou na quinta-feira (10) a CNC (Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo).
 

Para Vale, a situação pode explicar o mau humor de parte da população, mas o quadro econômico em linhas gerais ainda é favorável para Lula.
 

O principal adversário do presidente neste ano, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), vem mostrando crescimento nas pesquisas de intenção de voto.
 

"Se você olhar aquilo que afeta mais o consumidor, como inflação e desemprego, isso está em seus melhores momentos. Se o Lula perder agora, não vai ser por conta da economia. Vai ser por outras questões mais relacionadas à política", diz Vale.
 

Até então, o segundo mandato do petista (2007-2010) havia acumulado a menor inflação às vésperas de uma eleição. A alta registrada pelo IPCA foi de 19% no intervalo de janeiro de 2007 a agosto de 2010.
 

Na gestão de Jair Bolsonaro (PL), que antecedeu o terceiro mandato de Lula, o índice acumulou inflação de 25,3%. A variação foi observada de janeiro de 2019 a agosto de 2022.
 

O economista Fábio Romão, da consultoria 4intelligence, afirma que boas safras contribuíram para frear o IPCA durante o governo Lula 3.
 

Além desse fator, que tem relação com o clima, o impacto menor do câmbio e o rearranjo de cadeias produtivas após a pandemia também ajudam a explicar o contexto desde 2023, segundo Romão.
 

Ele, porém, chama a atenção para a diferença entre a inflação, que mede o ritmo de aumento de bens e serviços, e o nível dos preços.
 

Nesse sentido, Romão lembra que o custo dos alimentos vem de uma forte pressão da época da pandemia, embora tenha subido menos nos últimos anos.
 

"Há um mal-estar gerado pela dificuldade de comprar no supermercado uma coisa que é basal. Você pode não comprar uma roupa ou postergar a compra de um veículo. No caso da alimentação, como é algo basal, esse raio de manobra é menor", diz.
 

*
 

PRINCIPAIS QUEDAS DE ALIMENTOS EM AGOSTO
 

- Batata-inglesa: -19,89%
 

- Cenoura: -11,22%
 

- Cebola: -11,07%
 

- Tomate: -10,94%
 

- Ovo de galinha: -4,15%
 

- Café moído: -1,86%
 


 

PRINCIPAIS ALTAS DE ALIMENTOS EM AGOSTO
 

- Leite longa vida: 1,78%
 

- Frutas: 0,84%
 

- Carnes: 0,61%