Bolsa sobe mais de 1% com avanço do petróleo e cenário eleitoral; dólar recua
Por Folhapress
A Bolsa avança mais de 1% nesta quinta-feira (10), com a alta do petróleo impulsionando as empresas brasileiras do setor e contribuindo para a valorização dos ativos domésticos.
O cenário político, com a expectativa de que Flávio Bolsonaro (PL) fique à frente de Lula nas eleições deste ano, também favorece as cotações, segundo analistas.
Por volta das 14h30, o Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, avançava 1,49%, aos 188.404 pontos.
No mesmo horário, o dólar caía 0,34%, a R$ 5,092, na contramão do exterior. Lá fora, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar ante seis outras divisas fortes, avançava 0,15%.
A sessão continua com olhos para o exterior. Nesta quinta-feira, os houthis, grupo do Iêmen aliado do Irã, anunciaram que tomaram o controle da cidade de Mocha, importante cidade para o escoamento do petróleo vindo da Arábia Saudita.
Nos últimos dias, o conflito entre EUA e Irã tem escalado. Na quarta-feira (9), a Guarda Revolucionária do Irã afirmou ter atacado dez navios e disparado mísseis balísticos contra uma base na Jordânia utilizada pelas Forças Armadas dos EUA. A ação foi uma resposta aos ataques americanos a cinco petroleiros iranianos na terça-feira (8).
Segundo o braço militar iraniano, as embarcações "tentavam atravessar uma área proibida e insegura" do estreito de Hormuz, por onde passava 20% da produção mundial de petróleo e gás antes da guerra.
Em meio à escalada do conflito, o preço do petróleo ultrapassou US$ 105 pela primeira vez desde de maio. A alta impulsiona as ações das petrolíferas, com os papéis preferenciais da Petrobras subindo quase 2%.
"Esse movimento acaba beneficiando o petróleo e o mercado brasileiro por meio da Petrobras, que tem um peso enorme no índice. É a segunda empresa de maior peso no Ibovespa, atrás apenas da Vale", diz Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.
Nas últimas semanas, a Bolsa brasileira tem sido impulsionada pela força das commodities, em especial o petróleo, e pelo fluxo de capital estrangeiro, que encontra atratividade nas ações brasileiras diante do cenário global.
Esse movimento também favorece o real, à medida que investidores precisam vender dólares e comprar a moeda local para aplicar em ativos brasileiros.
Por outro lado, o conflito aumenta os riscos para o fluxo de petróleo na região e amplia as pressões inflacionárias. Não à toa, a guerra na região tem sido mencionada por bancos centrais ao redor do mundo na definição de uma política monetária mais restritiva.
Investidores também repercutem dados do cenário político brasileiro. Está prevista a divulgação de uma nova pesquisa eleitoral da AtlasIntel. Na última edição da pesquisa, em maio, Flávio Bolsonaro (PL) ficou com 41,8%, enquanto o presidente Lula (PT) alcançou 48,9%.
Durante o feriado de 7 de setembro, uma nova pesquisa Quaest mostrou o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro numericamente empatados, com 41% das intenções de voto cada um, em uma simulação de segundo turno. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.
Nesta quinta, no mercado de predição Polymarket, sediado nos Estados Unidos, Flávio passou a superar Lula, com 52% das apostas de vitória, contra 45% do petista.
O cenário eleitoral também está relacionado à crise do STF (Supremo Tribunal Federal). Mensagens recuperadas pela Polícia Federal no celular de Daniel Vorcaro, do Banco Master, foram divulgadas na última terça-feira (1º) e indicaram a atuação do ministro Alexandre de Moraes em favor do ex-banqueiro.
A retirada do sigilo da investigação, por decisão do ministro André Mendonça, revelou que, dias antes de ser preso pela PF, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país.
"Embora esse episódio não tenha relação direta com o Executivo, a interpretação predominante no mercado é de que o desgaste do STF pode ser mais favorável à campanha de Flávio Bolsonaro do que à de Lula, uma vez que Flávio tem sido historicamente bastante crítico ao Supremo", diz Leonel Oliveira Matos, analista de inteligência de mercados da StoneX.
Nesta quinta, os investidores também repercutem indicadores econômicos. O volume de serviços ficou estável em julho ante junho e avançou 0,9% na comparação anual, abaixo das expectativas de alta de 0,2% e 1,1%, respectivamente, segundo pesquisa da Reuters.
"Os dados recentes de atividade são unânimes em indicar uma moderação do ritmo de crescimento da economia. Na nossa visão, esse movimento deve persistir pelos próximos meses, entrando em 2027, o que permitirá ao Copom seguir com os ajustes na Selic", diz André Valério, economista sênior do Inter.
No exterior, o PPI dos Estados Unidos, indicador de preços ao produtor, subiu 0,4% em agosto, após alta revisada de 0,1% em julho. Em 12 meses, o índice avançou 5,4%, ante 4,8% no mês anterior.
"A leitura anual surpreendeu ligeiramente para cima. Mesmo com a leitura mista, as apostas em uma alta de juros já na reunião do Fed da semana que vem ganharam força. O mercado agora aguarda o CPI de amanhã, considerado o dado mais decisivo antes da decisão de política monetária dos dias 15 e 16 de setembro", diz Juliana Benvenuto, coordenadora de alocação e inteligência da Avenue.
O Fed definirá a próxima taxa de juros em reunião marcada para 15 e 16 de setembro. Atualmente, os juros dos EUA estão na faixa de 3,5% a 3,75%.
