Brasil registra menor número de casos de malária em quase 50 anos
Por Patrícia Pasquini | Folhapress
O Brasil registrou redução de 30% nos óbitos por malária e de 30,7% nos casos da forma mais grave da doença.
As mortes passaram de 56, em 2024, para 39 em 2025. No mesmo período, houve 118.037 casos de malária contraídos no território nacional, 14,8% menos que em 2024 e o menor número desde 1978.
Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, os dados refletem o início da oferta da tafenoquina no SUS (Sistema Único de Saúde), além da ampliação do diagnóstico, da oferta de testes e do tratamento adequado.
A tafenoquina —administrada em dose única— foi incorporada ao SUS em 2023 para pacientes adultos com 16 anos ou mais e peso de 35 quilos ou mais.
Mais de 33,7 mil pessoas utilizaram o medicamento até junho de 2026. Do total, 3.920 tratamentos foram feitos nos DSEIs (Distritos Sanitários Especiais Indígenas).
A malária causada pelo tipo mais comum pode voltar a se manifestar após o tratamento. A medicação atua sobre a forma do parasita que permanece no fígado e pode prevenir novos episódios da doença.
O remédio também está disponível em uma formulação para crianças a partir de 2 anos e com peso mínimo de dez quilos desde março de 2026. Até junho, 1.446 crianças e adolescentes haviam recebido o tratamento no país.
Atualmente, a formulação pediátrica da tafenoquina está disponível em 54 municípios e 17 DSEIs. Mais de 2,4 mil profissionais de saúde foram capacitados para utilizá-la.
No DSEI Yanomami, por exemplo, 1.515 pessoas receberam tafenoquina. Entre março e junho de 2026, as recaídas de malária caíram 61,9% em relação ao mesmo período de 2025. Entre janeiro e julho, os casos da doença diminuíram 55% na comparação com o mesmo período do ano anterior.
Padilha apresentou os resultados nesta segunda-feira (17), no 61º Congresso da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical (MedTrop), em Brasília.
O ministro abordou as metas do Brasil Saudável, que prevê eliminar ou reduzir, como problema de saúde pública, 11 doenças e cinco infecções de transmissão vertical até 2030.
Entre elas estão tuberculose, hanseníase, HIV/aids, malária, hepatites virais, tracoma, oncocercose, doença de Chagas, esquistossomose, geo-helmintíases e filariose linfática, além das infecções de transmissão vertical por sífilis, hepatite B, doença de Chagas, HIV e HTLV. A iniciativa envolve 14 ministérios.
Entre as certificações obtidas estão a eliminação da filariose linfática (elefantíase), em setembro de 2024, e da transmissão vertical do HIV, em dezembro de 2025. A estratégia também acompanha doenças que estão próximas das metas de eliminação, considerando critérios definidos por organismos internacionais de saúde.
A malária é causada por um parasito do gênero Plasmodium, transmitido para humanos pela picada de fêmeas infectadas dos mosquitos Anopheles (mosquito-prego). A doença não passa de pessoa para pessoa.
Os sintomas são febre alta, calafrios, tremores, sudorese e dor de cabeça. Prostração, convulsões, alteração da consciência, hipotensão arterial ou choque, dispneia ou hiperventilação e hemorragia são sinais de gravidade.
