Flávio dá início à campanha e reproduz áudio de Bolsonaro: “O país olha para Brasília com nojo”
Por Aléxia Sousa | Folhapress
O candidato a presidente do PL, Flávio Bolsonaro, deu início à campanha eleitoral neste domingo (16) com ato na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro, e discursou fazendo uma série de ataques ao governo Lula (PT).
Flávio reproduziu em áudio um discurso antigo do pai, Jair Bolsonaro (PL), em tom emotivo, e fez críticas ao STF (Supremo Tribunal Federal).
"Vou ser o próximo presidente da República porque vou enfrentar esse sistema", disse.
Ele comparou o pai, que está em prisão domiciliar, a Pelé ao iniciar o discurso.
Afirmou ainda que o resto do Brasil olha para Brasília "com nojo". Prometeu cortes de gastos e de cargos e fez uma série de críticas à gestão da segurança por Lula.
Também acenou ao eleitorado feminino prometendo combater a violência contra a mulher e criticou o número de feminicídios no atual mandato.
Ao falar de Bolsonaro, Flávio afirmou que o pai "nunca foi ameaça para a democracia" e que, ao contrário, teria sido "o último obstáculo" para que o país não se tornasse uma ditadura.
Na sequência, foi reproduzido um áudio antigo do ex-presidente. Na gravação, Bolsonaro falou sobre patriotismo, família, fé e seu desejo de "conduzir a felicidade para o Brasil".
A segurança pública foi um dos principais temas do discurso. Flávio afirmou que o brasileiro vive com medo de sair à rua e disse que o país perdeu "soberania" sobre o celular, o carro, a bolsa, a casa e a própria vida. Questionou quem exerce autoridade em áreas dominadas pelo crime organizado e afirmou: "Quem tem soberania aqui no Complexo do Alemão? O governo ou o Comando Vermelho?".
O candidato afirmou que, se eleito, tratará o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o Comando Vermelho como organizações terroristas. Também criticou a política de segurança do governo federal e afirmou que a gestão Lula teria reduzido recursos destinados às Forças Armadas.
Bandeiras dos Estados Unidos e de Israel estavam próximas do trio elétrico.
A economia também ocupou parte relevante da fala. Flávio criticou o endividamento das famílias, o custo dos alimentos e a carga de impostos. Disse que o governo Lula é "gastador" e afirmou que sabe "o caminho" para tirar os brasileiros das dívidas. Ao atacar o presidente, afirmou: "O Lula é o caloteiro da esperança".
Flávio também associou o governo federal ao escândalo de fraudes no INSS e acusou a gestão petista de corrupção. Em outro momento, afirmou que "foi a última vez que o Lula enganou o povo brasileiro" e disse que a oposição vencerá a eleição de 2026.
Durante o discurso, Flávio interrompeu a fala para pedir aos guarda-vidas que socorressem duas crianças que, segundo ele, estariam se afogando no mar.
Na saída do evento, o presidenciável voltou a atacar Lula. Questionado por jornalistas, afirmou que sua campanha trabalhará "com a verdade" e defendeu o voto em Douglas Ruas, candidato do PL ao governo do Rio. "Se o Brasil quiser mudar é só votar Flávio e Ruas. Se quiser continuar essa merda que está, vota no Lula", disse.
O ato contou com integrantes do palanque estadual do PL. Ruas afirmou ter recebido de Bolsonaro a missão de disputar o governo do Rio. "Recebi com muito orgulho e senso de responsabilidade", afirmou.
Ruas fez críticas ao PT e a Eduardo Paes (PSD), seu principal adversário na disputa estadual. "De um lado a turma do PT diz que traficante é vítima da sociedade, do outro lado estamos nós", disse. Em seguida, puxou o grito "Fora Lula e vá com Paes", em referência ao candidato apoiado pelo presidente.
Estimativa do Monitor do Debate Político, da USP e do Cebrap, com a ONG More in Commom apontou a presença de 8.900 pessoas no ato. O cálculo é feito por fotos aéreas com software de inteligência artificial.
A concentração começou às 10h na avenida Atlântica, onde foi instalado um trio elétrico. O evento marca o início oficial da campanha eleitoral.
A mobilização em Copacabana buscou reproduzir o cenário de atos que marcaram a trajetória política do ex-presidente Bolsonaro. A organização convocou os participantes a vestir verde e amarelo e camisetas associadas ao bolsonarismo.
A escolha de Copacabana também reforçou a estratégia de associar a campanha de Flávio à imagem do pai. Na manhã de sábado (15), véspera do ato, o senador foi a uma padaria na Barra da Tijuca que era frequentada por Jair Bolsonaro. Ao lado da mãe, Rogéria Bolsonaro, e de aliados, Flávio tomou café e comeu pão na chapa com leite condensado, hábito associado ao ex-presidente.
Entre os políticos que o acompanharam estavam os candidatos ao Senado Carlos Portinho e Carlos Jordy. Flávio também fez uma transmissão ao vivo nas redes sociais.
Neste domingo, Portinho afirmou que o início da campanha representa "um novo dia para o Brasil" e defendeu liberdade, ordem e segurança jurídica. Também falou em trazer de volta ao país "nossos irmãos que estão exilados", em referência ao discurso do grupo bolsonarista sobre brasileiros que estão fora do país, como Eduardo Bolsonaro e Alexandre Ramagem.
Carlos Jordy, também candidato ao Senado, afirmou que o Brasil vive "os piores anos da nossa história" e criticou inflação, juros e impostos. Ao atacar o governo Lula, disse que "Lulinha" teria transformado a Presidência em um "balcão de negócios" ao citar o caso do INSS. Jordy também defendeu um Senado que, segundo ele, não se curve ao que chamou de "ditadura do Judiciário".
A largada da campanha ocorre em um cenário de disputa com o presidente Lula. Pesquisa Genial/Quaest divulgada na sexta-feira (14) mostra Lula com 38% das intenções de voto no primeiro turno, contra 31% de Flávio.
Em um eventual segundo turno entre os dois, Lula aparece com 43%, ante 40% do senador, diferença dentro da margem de erro de dois pontos percentuais.
O levantamento ouviu 2.004 pessoas presencialmente entre os dias 10 e 13 de agosto, às vésperas do início oficial da campanha.
A chapa do PL foi reformulada neste mês depois que União Brasil e PP decidiram não integrar a aliança. Em fevereiro, o grupo havia anunciado uma composição que reunia, além de Flávio e Ruas, o então governador Cláudio Castro, o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa e Márcio Canella. Com isso, o PL lançou uma chapa própria no estado, com Fernanda Louback como candidata a vice-governadora.
Também na véspera do início oficial da campanha, o senador Romário anunciou sua saída do PL, partido ao qual estava filiado havia cinco anos, e declarou apoio à candidatura de Eduardo Paes (PSD) ao governo do Rio. Romário afirmou que a decisão foi tomada a partir de sua avaliação sobre os desafios do estado, mas não declarou apoio a nenhum candidato à Presidência. Paes tem o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na disputa estadual.
