Lula é oficializado candidato à reeleição e tentará 4° mandato em novo embate com clã Bolsonaro
Por Caio Spechoto, Catia Seabra e Juliana Arreguy | Folhapress
A candidatura à reeleição do presidente Lula (PT) é confirmada neste domingo (2), em São Paulo, durante convenção do PT no Expo Center Norte, na zona norte da capital paulista.
O evento terá poucos discursos, e estão previstas falas de Edinho Silva, presidente nacional do partido, do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e do ex-ministro Fernando Haddad, candidato ao Governo de São Paulo.
Antes do evento, uma transmissão do próprio PT foi exibida no telão do pavilhão com entrevistas de convidados como lideranças partidárias e candidatos nestas eleições.
A convenção petista ocorre em meio ao desgaste sofrido pelo presidente, diante da abertura de dois inquéritos, pela Polícia Federal, para investigar suspeitas de tráfico de influência por parte de um de seus filhos, o empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha.
A PF quer investigar se Lulinha atuou na comercialização de cannabis medicinal em favor de uma empresa ligada ao Careca do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), e se agiu junto à Dataprev (Empresa de Tecnologia e Informações da Previdência) para beneficiar um empresário e prospectar contratos.
Além disso, Lula também lida com o fato de um de seus aliados, o senador Jaques Wagner (PT), ter sido alvo de operação da PF (Polícia Federal) por envolvimento direto com Daniel Vorcaro, do Banco Master. Wagner teria recebido benefícios, como um apartamento de luxo, de um dos sócios de Vorcaro, Augusto Lima.
Apesar disso, Lula pediu votos a Wagner durante convenção do PT na Bahia, neste sábado (1°). O senador, no entanto, não compareceu à convenção nacional.
A relação de Wagner com o caso Master deu munição para ataques adversários em um terreno onde os petistas vinham construindo muitas de suas críticas à campanha de Flávio Bolsonaro (PL).
Em maio deste ano, foi revelado que Flávio pediu e recebeu dinheiro de Vorcaro para o filme "Dark Horse", que conta a história de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A sequência de irregularidades reveladas sobre o caso tem contribuído para o isolamento político de Flávio, que até o momento não conseguiu atrair outro partido para compor com a vice de sua chapa.
Segundo a última pesquisa Datafolha, Lula tem 40% das intenções de voto para o primeiro turno contra 32% de Flávio. No cenário mais provável de segundo turno, o petista aparece com 48% contra 43% de Flávio. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
