Zema é confirmado candidato sem definição do vice e com promessa de indulto a Bolsonaro
Por Augusto Tenório | Folhapress
O Partido Novo oficializou, nesta segunda-feira (27), a candidatura do ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema à Presidência da República, em convenção realizada em Brasília. A sigla, porém, ainda não definiu quem será o vice na chapa.
Em seu discurso, Zema abordou o escândalo do Banco Master, defendeu o impeachment de ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) e conteve críticas ao senador Flávio Bolsonaro (PL), seu adversário na corrida presidencial. Quando questionado, disse que concederia indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
"Quero que o Brasil resolva injustiças cometidas em relação aos atos do 8 de Janeiro. Temos pessoas que não sabiam o que estavam fazendo e estão detidas. Se houve uma tentativa de golpe, que haja um julgamento imparcial, e não um julgamento político, como aconteceu. Precisamos passar uma borracha e olhar para o futuro. No que depender de mim, será feito [o indulto a Bolsonaro]", afirmou Zema.
A convenção confirmou a candidatura de Zema por aclamação, sem contagem de votos. O presidente do partido, Eduardo Ribeiro, afirmou que a sigla lançará outros 150 candidatos pelo Brasil, a maioria para disputar vagas para a Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas.
O Novo enfrenta obstáculos para achar um nome para compor chapa, diante da dificuldade de Zema em crescer nas pesquisas. Na véspera, o ex-governador citou a possibilidade de ter o ex-ministro do STF Joaquim Barbosa como vice.
"A competência de Zema não se compara à de outros candidatos. [...] Ele não deixou o PT voltar [em Minas Gerais]. Uma boa gestão com pessoas dedicadas, íntegras e corajosas enterra o PT. Vamos enterrar o PT como enterramos em Minas Gerais", afirmou Ribeiro.
No Datafolha divulgado na última sexta-feira (24), o ex-governador de Minas teve 3% de intenção de voto. Zema tem perfil de direita e conservador, disputando o mesmo eleitorado com Ronaldo Caiado (PSD), que teve 4%, e Flávio Bolsonaro, que marcou 32%.
Em relação à sua posição nas pesquisas, Zema afirmou que melhorará seus números com o início da campanha. "Em 2028 eu tinha 0% de conhecimento e venci a eleição. A eleição é como um cardápio de restaurante, só abrimos quando estamos lá. O brasileiro só vai sintonizar no ‘modo eleição’ mais adiante."
O ex-deputado Deltan Dallagnol, também filiado ao Novo, defendeu a candidatura de Zema, apesar de ser pré-candidato fazendo dobradinha com o PL no seu estado, o Paraná. Nos bastidores, uma parte da bancada do Novo colocou como condicionante de apoio a Zema uma moderação das suas críticas a Flávio.
Ao citar o caso do Master, Zema destacou que o banqueiro Daniel Vorcaro é de Minas Gerais, mas que jamais teve contato com ele. O ex-governador provocou, sem citar Flávio, quem estendeu "o tapete vermelho" em Brasília para o empresário e quem voou em aeronaves bancadas por ele.
Nesse sentido, Zema defendeu o impeachment de ministros do STF, citando Alexandre de Moraes e Dias Toffoli. O afastamento de Gilmar Mendes foi defendido, mas pela influência do magistrado fora da corte e pelo patrocínio de eventos como o Fórum de Lisboa
"Quero que haja idade mínima de 60 anos para ministros. Isso limita a 15 anos a permanência de ministro indicado. Além disso, defendo escolha por lista tríplice preparada pelo Senado, OAB e Ministério Público. Vou acabar também com decisões monocráticas, principalmente sobre pautas aprovadas pelo Legislativo", disse Zema.
O pré-candidato também fez um forte discurso pelo Estado mínimo, defendendo a venda de todas as estatais, revisão de benefícios sociais e reformas administrativa e previdenciária. Também focou a segurança pública, defendendo classificar facções criminosas como terroristas e uma política de encarceramento em massa, com construção de um "superpresídio" na Amazônia.
Nesta eleição há uma pressão para que o partido tenha melhor desempenho, pois será o primeiro pleito nacional em que a sigla autorizou o uso do fundo eleitoral. Na origem, a legenda proibia o uso de recursos públicos para financiar candidaturas ou manter a estrutura partidária.
O presidente da sigla afirmou que o Novo utilizará o saldo não gasto do fundo partidário e também o fundo eleitoral disponível neste ano.
"Seria muito difícil entrar com a mesma competitividade sem usar as mesmas armas. Temos cerca de R$ 80 milhões, parte significativa vai para a candidatura de Zema", afirmou Eduardo Ribeiro.
