Alckmin diz que Brasil usará reciprocidade em 'momento adequado' após novas tarifas dos EUA
Por Marcos Hermanson e Nathalia Garcia | Folhapress
O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) descreveu nesta quinta-feira (16) o tarifaço imposto ao Brasil pelos Estados Unidos como medida "injusta e descabida" e disse que o governo saberá usar a Lei de Reciprocidade, que permite retaliar barreiras comerciais injustas, no momento adequado.
"Os argumentos levantados na Seção 301 partem de uma base totalmente falsa, não tem a menor justificativa", disse Alckmin a jornalistas, citando os argumentos mobilizados pela Casa Branca para justificar mais uma tarifa de 25% contra o Brasil.
"Nós temos a Lei da Reciprocidade, aprovada por unanimidade no Congresso Nacional, que o governo, no momento adequado, saberá como implementar", afirmou o pessebista. Como adiantou a Folha de S. Paulo, o governo já estudava aplicar as medidas previstas na lei na véspera do anúncio americano.
Alckmin também aproveitou a oportunidade para espetar a oposição, fazendo uma referência indireta à família Bolsonaro. "Contra os que sabotam o Brasil lá fora, o presidente, o governo do presidente Lula, trabalha para apoiar quem trabalha aqui dentro, quem ajuda o Brasil a crescer e a nossa economia", disse.
Também presente na entrevista a jornalistas, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, descreveu a nova rodada de tarifas como um ato de "interferência externa indevida" utilizado pela oposição como muleta eleitoral. Ele prometeu que o governo vai reforçar o plano Brasil Soberano, que oferece crédito a exportadores afetados pelo tarifaço, após ouvir os setores prejudicados pelas medidas.
O governo calcula que a medida anunciada pelo governo Trump vá afetar 18% das exportações brasileiras aos Estados Unidos e colocar em risco cerca de US$ 7,4 bilhões (R$ 38 bilhões) em mercadorias exportadas, considerando dados de 2024.
